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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Um Amigo Verdadeiro.
Blondie Chicken
One day she realized that the corn was ripe, ready to be harvested and turn a good food.
The red-haired chicken had the idea to make a delicious corn cake. All would like!
It was a lot of work: she needed enough corn for the cake.
Who could help harvest corn on the cob in the foot?
Who could help thrash all that corn?
Who could help grind corn to make corn flour for the cake?
Thinking about the redhead chicken found your friends:
- Who can help me harvest the corn to make a delicious cake? - I do not, said the cat. I'm too sleepy.
- I do not, said the dog. I'm very busy.
- I do not, said the pig. I just had lunch.
- I do not, said the cow. It's time to play outside.
Everyone said no.
So the redhead chicken was preparing it alone: harvested the grain, threshed corn, milled flour, prepared the cake and put in the oven.
When the cake was ready ...
That good smell cake was making friends arrive. Everyone was salivating.
Then the redhead hen said:
- Who was it that helped me to harvest the corn, prepare the corn to make the cake?
Everyone was very quiet ones. (No one had helped.)
- So who will eat the delicious corn cake I am me and my chicks only. You can continue to rest looking.
And so it was: the hen and her chicks took the party, and none of the lazy invited.
Cachorrinhos Para A Venda.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Notificando!
Aviso! Especial- Canal Do Youtube.
Aviso!- Agora Teremos, Video Blog.
Espiritos Afogados De Scott Nicholson.
Copyright ©2010 Scott Nicholson
Publicado por Haunted Computer Books
Smashwords edition
Lá fora, enquadrado pela janela, o mar. A língua do oceano lambe a costa
como quem mexe numa velha cicatriz. Nuvens pesadas e cinzentas pairam no
céu, jogadas umas contras as outras pela ameaçadora fúria da natureza. À
distância, uma pequenina vela branca, ou talvez uma gaivota desamparada,
distante demais para voltar à terra.
Espero que seja uma gaivota.
Porque ela pode vir dessa maneira, vinda do nascente cor de lavanda.
Pode se erguer dos renitentes campos arenosos por trás da casa, ou se infiltrar na
árvores prateadas, mais além. Ela pode chegar mil vezes, em mil cores
diferentes, de todas as direções.
Eu quase consigo ouvi-la, os passos leves na escada, o sussurro das rendas
rotas, o ruído dos ossos da mão deslizando rapidamente pelo corrimão.
Quase.
Não é o medo que cola meus braços e pernas à cadeira, pois sei que ela
não quer a morte como vingança. Ah, se fosse assim tão fácil pagar meus
pecados.
Na verdade, temo o momento em que ela aparecerá diante de mim,
quando seus olhos suplicantes olharão através dos meus e seus lábios perdidos se
abrirão numa pergunta.
Ela vai perguntar por quê, e, que Deus me ajude, eu não terei resposta.
Cheguei a Portsmouth para fazer uma matéria para o caderno de viagem
de uma grande revista. Na minha carreira, aprendi a não amar nenhum lugar e a
gostar de todos, pois os editores querem entusiasmo no texto. Assim, nem a
vastidão e a beleza gelada das montanhas Rochosas, nem os úmidos desfiladeiros
dominados por sequoias do Oregon, nem os flamejantes tons pastéis dos desertos
do sudoeste, nem as antigas e acolhedoras curvas dos Apalaches, nem as grandes
planícies douradas no centro do país conquistaram lugar mais especial no meu
coração do que qualquer outra região dos Estados Unidos. Na verdade, em
grande medida, as impressões que formei sobre esta terra e seu povo vieram de conversas superficiais e paisagens emolduradas por janelas de aviões, trens e,
ocasionalmente, de táxis e navios.
Por isso, as Outer Banks não me eram nada especiais quando cruzei a baía
de Pamlico de ferry boat para chegar a Ocracoke. Ao norte ficava o histórico
farol do cabo Hatteras, o mais alto do país, que estava sendo removido de sua
base erodida ao custo de milhões de dólares. Cheguei a pensar em parar lá e
cobrir a remoção para tentar vender outra reportagem, mas as matérias para a
revista sempre têm prioridade sobre trabalhos como freelancer, porque nunca é
bom trocar o certo pelo duvidoso.
Assim sendo, rumei para a lúgubre Portsmouth. Em Ocracoke, encontrei
o homem que deveria me levar àquela cidade. Quando entrei no pequeno barco
com mochila e duas bolsas, com o laptop e a câmera embalados como proteção
contra a maresia, o barqueiro me olhou com desconfiança.
— Quanto tempo você vai ficar? — Perguntou ele, cuja face vincada
estava tão maltratada pelo tempo quanto o casco do navio.
— Três dias, embora estejam me pagando por sete — respondi. — Por
quê?
— Se me permite a ousadia, você não parece ser do tipo que aguenta
ficar sem conforto. ― Sob a viseira do boné, seu olhar agitado mudava
constantemente de mim para a enseada, depois para o céu e para a confusão da
doca.
— Eu me viro — respondi, nada satisfeito com a descrição que o velho
lobo do mar fizera de mim. É verdade que eu me sentia mais em casa num hotel
três estrelas do que numa barraca de camping, mas fazia minhas caminhadas e
tentava ficar só um pouco acima do peso, como a maioria dos americanos de
meia-idade.
O homem olhou para o mar, na direção de Portsmouth.
— Ela é dureza, se estiver de ovo virado — alertou, para logo jogar o
manete para a frente e desencostar o barco do cais aos borbotões, em meio a
uma neblina oleosa.
Ficamos sem falar por alguns minutos, enquanto eu me deixava ficar na
proa batida pelas ondas e Ocracoke encolhia atrás de nós. O silêncio foi
interrompido pelo grito do barqueiro, mais alto do que o barulho do motor:
— Espero que você tenha trazido repelente!
— Por quê? — Perguntei, enquanto os jatos de água do mar criavam uma
película grudenta na minha cara.
— Os insetos vão comer você vivo.
— Será que não me emprestam um vidro no posto da guarda florestal? —
Repliquei.
O homem riu, e sua cabeça se enfiou para dentro do pescoço como se ele
fosse uma tartaruga marinha.
— Não tem guardas florestais por lá. Não nesta época do ano.
— Como assim?
— É a temporada de furacões. Bom, por causa disso e dos cortes de
verba. O governo não tem nada a ver com a ilha. Lugares assim deveriam ficar
em paz.
As informações que me passaram deviam estar erradas. Portsmouth
estava sob a administração do Serviço Nacional de Parques desde que os últimos
habitantes deixaram a ilha 30 anos antes. Um assistente editorial me garantira
que, durante a minha estadia, pelo menos dois guardas florestais estariam de
serviço, instalados em um posto equipado com um rádio de ondas curtas movido
a bateria e dotado de suprimentos de emergência. Foi por essa única razão que eu
havia concordado em fazer uma matéria num lugar tão desolado.
Mais uma vez, insultei em silêncio a falta de cuidado dos assistentes
editoriais.
— A previsão é de tempo bom — disse eu, sem deixar o barqueiro
antever qualquer preocupação minha.
— Você vai ficar bem. Pelo menos no que diz respeito ao clima. Ainda
assim, às vezes elas surgem de repente.
Olhei para o infinito mar azul. O horizonte estava deserto, num cenário
muito diferente do glorioso passado da navegação daquele lugar. Em minhas
pesquisas, descobri que a enseada fora uma das primeiras grandes rotas
comerciais para o Sul. Décadas antes da Revolução Americana, navios
fundeavam perto do canal raso e descarregavam mercadorias em barcos
menores, que então distribuíam a carga entre as cidades situadas ao longo da
costa. Estimulada pela indústria naval, Portsmouth cresceu e se desenvolveu
sobre aquelas lúgubres areias branco-acinzentadas.
— Muitos naufrágios por aqui? — Perguntei, mais para manter o homem
falando do que para preencher qualquer lacuna no meu conhecimento.
— Tantos que nem dá para contar. Tem de tudo, desde galeras de três
mastros até cargueiros de ferro. Uns desses hippies mergulhadores de Wood Hole
disseram que viram um submarino alemão afundado, mas eu acho que eles
tinham fumado um cigarrinho do capeta.
— Então as águas não são muito profundas aqui?
— Depende do movimento da areia de um ano para outro. Podem ser
cinco metros, podem ser trinta. É por isso que os grandões não passam mais por
E é por isso que Portsmouth morreu. Com a enseada cada vez mais rasa,
os navios já não queriam correr o risco de encalhar ou até mesmo romper o
casco nos recifes. A cidade tentou se adaptar às dificuldades e se tornou uma
base para equipes de navios de resgate, no final do século XIX. Muitos marujos
da cidade morreram em tentativas inúteis de resgate de pessoas e de carga.
Foi então que os navios deixaram de vez a região e os moradores
deixaram a cidade, família por família. A população encolheu dos 700 habitantes
dos tempos áureos para poucas dezenas na década de 1950. Os mais teimosos
nativos de Portsmouth permaneceram na terra natal apesar da falta de
eletricidade, da oferta irregular de alimentos, do serviço de correio intermitente e
da escassez de médicos e professores. Mas mesmo os mais empedernidos
finalmente desistiram e se mudaram, em busca de uma vida mais segura e
menos difícil, deixando para trás uma cidade fantasma, cujos prédios
permanecem praticamente intactos.
— Aí está ela — anunciou o barqueiro. Apertei os olhos para me proteger
dos borrifos d’água e enxergar a fina faixa de terra que surgia lentamente. A
praia era linda, porém desolada. O burburinho das gaivotas era o único
movimento além do vaivém das algas. Dunas baixas se erguiam além da praia
de areia branca.
— Muitos naufrágios aconteceram ao longo desse trecho — comentou o
barqueiro.
— Eu li que antigamente os marinheiros iam para o mar durante os
furacões para resgatar a tripulação de navios afundados.
— Eram homens de coragem — concordou ele. — Afinal, o sujeito tinha
que ser muito corajoso ou muito doido para fincar raízes aqui. Minha família é
daqui, mas eles saíram na época da Primeira Guerra, quando os lucros eram
bons. Mas ainda tem um monte de parentes meus na ilha.
Fiquei confuso.
— Pensei que a cidade estava abandonada, que só sobraram guardas
florestais.
Ele deu uma risada que lembrava o som de um golfinho.
— Eles estão embaixo da terra, nos cemitérios. Ficaram no lugar onde
foram enterrados.
O barqueiro manobrou o barco na direção de uma doca semidestruída,
pouco mais que algumas estacas pretas saindo das águas rasas. O motor
começou a rosnar à medida que ele diminuía a velocidade. Quando chegamos ao
lado da doca, ele amarrou o barco com mãos que lembravam patas de
caranguejo e eu pulei para cima das tábuas podres e escorregadias.
— Você já voltou? — Perguntei. — Para dar uma olhada nas coisas e
passar pelas casas em que os seus parentes moraram?
Ele ficou estudando o torvelinho de espuma e balançou a cabeça.
— Nunca. É melhor deixar o passado morto e enterrado. É melhor você
não se esquecer disso.
O barqueiro me passou a bagagem e pensei que ele poderia ao menos me
ajudar a carregá-la até terra firme. Doce ilusão, o sujeito não saiu de perto do
leme.
— Você me pega aqui na sexta, às quatro horas? — Perguntei.
Ele fez que sim, sem me olhar nos olhos.
— Se não tiver furacão, estarei aqui.
— O pagamento chegou direitinho?
Eu sabia que revistas às vezes demoravam eras para fazer pagamentos e
não queria que a minha passagem de volta ao continente fosse cancelada. Aquele
homem era meu único elo com a civilização, a menos que eu conseguisse entrar
no posto e usar o rádio de ondas curtas.
— Tudo certo com o dinheiro — respondeu ele. — Imagino que essa é a
única razão para você estar fazendo isso.
— Até é, mas também estou curioso. Não existem muitos lugares como
este, onde você pode se perder no tempo.
— É, mas não vá se perder demais. Voltona sexta. Fique fora das casas e,
pelo amor de Deus, não entre nos cemitérios de jeito nenhum.
O barqueiro desamarrou o barco e se afastou da doca. Depois, virou o
leme do barco até ficar de costas para mim. Acenei, mas ele não se virou. O
barco já havia sumido de vista quando consegui carregar todas as bolsas até as
colinas de areia que protegiam a ilha dos piores ventos.
Quando cheguei ao topo das dunas, as casas mortas de Portsmouth se
esparramaram à minha frente. Tinham o mesmo tom branco-acinzentado da
areia, pois a pintura das casas coloniais fora descascada por décadas de erosão
natural pela areia. Ficavam a dezenas de metros de distância umas das outras e
todas se erguiam alguns metros acima do chão, sustentadas por pilastras de
concreto ou tijolo. Carvalhos e pinheiros raquíticos preenchiam os imensos
espaços entre as construções. Deixei as malas na primeira varanda que
encontrei, numa casa de três andares que era a mais alta da ilha.
Não acreditei na conversa do barqueiro de que não havia ninguém na ilha.
Mesmo que os postos da guarda florestal estivessem abandonados, devia haver
alguns campistas ou marinheiros de passagem por lá. Eu não achava que alguém
fosse roubar meu equipamento, mas o laptop valia alguns milhares de dólares e,
se alguém pegasse meus suprimentos, não daria para andar até uma loja de
conveniência e comprar mais.
Apesar dos avisos, entrei na casa. As tábuas de pinho, velhas e escuras,
rangiam sob meus pés. A sombra era um alívio para o sol inclemente do verão e
as janelas estreitas transformavam em reconfortante brisa o vento cruel do lado
de fora. Os muitos cômodos do térreo estavam vazios. Encontrei a escada à
esquerda do vestíbulo e subi os degraus ressequidos. No segundo andar, havia
duas cadeiras velhas, uma delas de balanço. Em seguida, explorei o terceiro
andar, que não passava de um sótão triangular. A vista da única janela era
espetacular: além da cidade quase toda, também via-se ambos os litorais, o
voltado para o Atlântico e o voltado para o continente, pois a ilha não chegava a dois quilômetros de largura. A janela também tinha um pequeno peitoril onde eu
poderia apoiar o laptop e escrever. Decidi fazer daquele cômodo o meu quartel-
general durante minha curta visita.
As regras do parque permitiam que os visitantes entrassem nas casas, mas
era proibido permanecer nelas. Costumo respeitar normas, mas, se até os
guardas florestais largaram o lugar à mercê dos elementos, concluí que era meu
direito de desabrigado ficar ali, considerando que eu mesmo era uma força da
natureza. Além disso, depois que o meu artigo fosse publicado, o interesse
renovado pelo local poderia gerar mais divisas para o Serviço de Parques
Nacionais, graças às taxas pagas pelos novos visitantes. Uma boa publicidade não
faz mal algum na hora da dotação orçamentária.
O sol se escondia rapidamente atrás da linha do horizonte. Guardei os
suprimentos num armário escuro e sem portas, carreguei a cadeira de balanço
para o terceiro andar e sentei em frente à janela para descansar. Olhei para
baixo e imaginei como seria a cidade 150 anos antes, com a movimentação
comercial a beira-mar, crianças correndo pelas ruas arenosas e irregulares,
mulheres em vestidos longos cuidando de seus afazeres. Talvez um ou dois
cavalos, certamente não mais que isso, puxassem carroças carregadas com
produtos dos navios mercantes, barriletes de água, grossos rolos de corda e sacas
de farinha de trigo e de milho. Eu quase conseguia ouvir os gritos e cantos dos
marinheiros que carregavam e descarregavam os escaleres.
O cemitério ficava atrás de um carvalho envergado pelo tempo. Algumas
das lápides estavam caídas e os poucos anjos e cruzes que ainda resistiam ao
vento estavam bem desgastados e esburacados. Lembrei-me das palavras do
barqueiro, que dizia para evitar cemitérios. Nada, porém, escrevia melhor a
história de um lugar do que os nomes e as datas de seus mortos e eu sabia que
não resistiria a uma visita.
Não sei se cochilei, embora eu raramente durma antes do sol se recolher,
mas o fato é que, quando dei por mim, estava andando pelo cemitério, pés
descalços contra a grama dura. O céu estava de um azul profundo e caminhava
para um crepúsculo quase sem estrelas. A brisa do mar gemia entre as lápides de
mármore e o ar tinha gosto de sal e algas e madeira de navio.
Ela surgiu do nada, tão branca quanto a areia. O cabelo escuro escorria
por sobre o lindo rosto e os olhos negros eram um contraste à pele. O elegante
vestido de estilo vitoriano era branco, de mangas longas e cintura alta, com todos
os arremates em renda. Saiu das sombras e estendeu as mãos.
Era jovem, tinha uns dezoito anos, mas seu corte do cabelo não tinha nada
de moderno. Por um instante, pensei que ela estivesse em uma festa à fantasia
com os amigos na praia, todos reunidos em torno da fogueira com violões e vinho
e risadas antes de formarem pares e transar na areia. Depois percebi que sua
expressão estava séria demais para alguém que vinha da farra.
— Senhor, por favor, houve um naufrágio na baía — disse ela com voz
trêmula, porém forte. — Pode ajudá-los?
— Como?
— Eles estão naquela direção — insistiu, apontando nervosamente para o
leste. — O Walker Montgomery afundou com quarenta marujos a bordo, senhor.
Nossos homens foram resgatá-los nos botes a remo, mas receio que eles também
estejam em perigo. Partiram há muito tempo, senhor, muito tempo mesmo.
Os olhos dela se encharcaram de lágrimas sob o brilho da lua amarelada.
Balancei a cabeça, com certeza alguém estava me pregando uma peça. Devem
ter me visto e se aproveitaram do isolamento às minhas custas. Eu tinha certeza
de que os amigos dela surgiriam da escuridão gargalhando estrepitosamente e
me convidariam para beber com eles.
Mas ela mantinha os olhos fixos, belos olhos assombrados que me feriram
como arpões. Não havia nenhuma alegria neles. Ela segurou meu braço; seus
dedos estavam frios.
— Ajude-os — suplicou. — Ajude-o.
— Quem? — Perguntei estupidamente.
— Meu Benjamin. No leme do barco de resgate principal.
— Eu... Eu não estou entendendo.
Ela puxou a manga da minha camisa, os olhos escondidos pelos cabelos.
— Há outro barco na beira da baía — disse ela. — Talvez, se remarmos
juntos, consigamos chegar a eles a tempo. Depressa, por favor, antes que a
tempestade leve todos.
Não havia tempestade. As ondas quebravam na costa, com o som eterno
e suave da arrebentação. O vento mal daria para sustentar uma pipa. Entretanto,
havia algo na voz dela que fazia meu coração bater mais rápido, ao mesmo
tempo em que fazia meu sangue gelar. A lua foi subitamente engolida por nuvens
― Siga-me ― disse ela, seguindo em frente, por entre as lápides, para a
escuridão.
Fiquei onde estava, e então virei-me para ver o casarão onde estava
acampado. Uma luzinha brilhava fraca, talvez a vela que eu usara para ler.
Quando me dei conta, ela havia sumido. Corri algumas centenas de metros pela
areia, mas não a encontrei.
Só então os ventos se aceleraram, as nuvens se abriram e a luz da meia-
lua banhou a praia. A baía parecia deserta e monótona. Não havia qualquer sinal
da dama de branco, nem mesmo pegadas na areia molhada.
Ainda que um tanto desconcertado, finalmente consegui voltar à casa.
Subi ao quarto onde eu havia estendido o saco de dormir e deixado meus livros e o laptop. A vela queimara até a metade. Devo ter ficado horas na praia.
Entorpecido, me arrastei para dentro do saco de dormir e me refugiei no sono,
inquietado pela imagem daquele belo rosto.
Pela manhã, ri de meus sonhos estranhos e gastei mais uma parte dos
meus suprimentos. Abri uma lata de sardinhas e comi uma maçã, e depois passei
uma hora debruçado sobre o laptop, registrando minhas impressões sobre o
desembarque de ontem. Satisfeito por haver começado a pagar o investimento da
minha editora, vesti um short e uma camisa leve, e fui para o coração da cidade-
fantasma.
Caminhando por entre casas vazias e janelas bloqueadas, tive a sensação
de que havia olhos me observando. Cheguei até a gritar um inquisitivo “alô!”,
ainda não convencido de que a ilha estava completamente desabitada. Não obtive
resposta, exceto pelo grito fúnebre das gaivotas.
Encontrei o posto da guarda florestal, que estava lacrado, portas e janelas
protegidas por barras de aço. Ao lado do posto havia uma construção que julguei
ter sido um armazém, pois havia bancos e um cocho de água no pátio de entrada,
e ganchos e suportes enferrujados cobrindo toda a fachada. O interior, no
entanto, estava desolado. Passei pelo balcão desabado e cheguei aos fundos do
galpão, que terminava em um píer.
Empurrei o portão empenado e segui para o final do píer. O Atlântico se
abriu perante mim, glorioso e salpicado de milhões de brilhantes. Observei a
barreira de dunas do outro lado da baía, a quatrocentos metros de distância, e
logo me lembrei da noite anterior. Por um instante, vi um pequeno veleiro de
anteparas destroçadas, a proa voltada para o sol, as velas como fantasmas
esfarrapados. Em um piscar de olhos, a ilusão sumiu. Ri sozinho, embora marcas
de suor tenham brotado na minha camisa.
O temperatura estava subindo rapidamente e, como o mar estava calmo,
tirei a camisa e os sapatos e entrei na água. Nadei um pouco e voltei para meu
estúdio improvisado, lamentando não dispor de um chuveiro. Almocei uma
refeição instantânea e peguei a câmera fotográfica, pronto para a caminhada de
seis quilômetros até a extremidade sul da ilha.
Ao cruzar aquela estreita ilha-barreira, percebi por que o povoamento se
restringiu à extremidade superior. O terreno não passava de um implacável
amontoado de dunas entremeadas por bolsões de água empoçada que em nada
lembravam os vibrantes pântanos da Flórida. Aqui havia lagoas lúgubres e
estéreis, onde apenas os mosquitos proliferavam. Nuvens desses parasitas
começaram a me atacar e passei mais tempo espantando-os do que
fotografando.
Como o cenário não se alterava, desisti do objetivo na metade do
caminho. Decidi fotografar apenas as construções antigas e as praias com seus
ocasos e alvoradas. Arrastei-me de volta à cidade abandonada, planejando escrever um pouco antes do anoitecer. Entretanto, não consegui me concentrar
no trabalho. Fiquei observando da janela as garras da noite tomarem a cidade,
pensando na mulher dos meus sonhos e comparando sua beleza a todas as outras
que já conheci.
Inquieto, caminhei pela praia sob o crepúsculo cinzento. Segui pelo lado
oceânico, ao longo da baía. Já me aproximava do velho armazém quando ela
surgiu da escuridão sob o píer. Vestia o mesmo vestido que embelezara suas
suaves curvas na noite passada. Seus cabelos lisos tremulavam ao vento, numa
visão rara. A palidez era o único senão, a única mácula que a separava da
perfeição.
Como da primeira vez, seus olhos escuros me procuraram em súplica
silenciosa.
― Podemos ir agora? ― Perguntou. ― Eles com certeza estão se
afogando por aqui.
Supus que ela tivesse morado na ilha por algum tempo. E embora eu
estivesse convencido de que a noite anterior fora um sonho, uma parte de mim
ansiava que aquilo fosse real, que houvesse nova oportunidade de observar sua
bela imagem novamente. E lá estava ela diante de mim.
― Onde eles estão? ― Perguntei, quase sem fôlego.
A bela apontou para o outro lado da baía, onde um raio de luar se agitava
por sobre as águas.
― Eles estão ali! Que tempestade terrível!
E, por um instante, eu vi. Ondas rugindo a cinco metros de altura, a chuva
prateada despencando em lâminas sólidas, os escaleres jogados para lá e para cá
pelo oceano furioso, como rolhas descendo pelo bueiro. Senti meu rosto
empalidecer.
― Por favor, corra, senhor. Meu pobre Benjamin está lá!
A moça passou por mim e agarrou minha mão. Ela era concreta, não
uma mera ilusão encantadora. Meus sentidos rodopiavam, audição, tato e visão
embaralhados. Eu estava fascinado por sua beleza e proximidade, e mortificado
pela visão da tempestade. Deixei-a me conduzir e suas súplicas competiam com
o rugido do vento inclemente. Nos momentos em que conseguia desviar os olhos
dela, eu espiava o litoral à nossa frente.
Um barco estava abicado na praia, a popa banhada pela espuma do mar.
As ondas ficavam mais fortes, quebrando com raiva e avançando sobre a areia
cada vez mais. Os primeiros pingos de chuva espetaram minha pele, mas o céu
estava quase sem nuvens. Não questionei esses acontecimentos inverossímeis.
Pensava em nada além da mão delicada, mas forte, que pegava a minha, e em
como eu ansiava que elas jamais se soltassem.
Aproximamo-nos do barco e ela começou a tentar devolvê-lo à água. A
chuva havia apertado. Seu vestido molhado aderiu ao corselete que lhe cingia a cintura e seus cabelos caíam em cachos selvagens sobre as costas. Devo tê-la
encarado atônito por alguns instantes, pois ela se virou para mim e ralhou:
― Venha, me ajude! Não temos muito tempo!
Corri para seu lado, empurrei a proa com toda a força e senti o barco
começar a deslizar. Um vagalhão tremendo liberou o casco da areia. Ela
embarcou pela lateral, fazendo um sinal para que eu a seguisse. A tempestade
caía com violência e o vento ficara tão forte que eu mal conseguia ficar de pé.
Em meio à escuridão, eu não conseguia mais enxergar o navio adernado nem os
salvadores.
Amoça estendeu a mão a mim e implorou:
― Venha, não consigo remar sozinha. Benjamin está lá!
Ergui a mão para pegar a dela, mas me detive subitamente. Balancei a
cabeça negativamente, mais para mim mesmo do que para ela. Aquilo era
loucura. Pura loucura.
Um enorme onda quebrou e voltou em contracorrente, puxando o barco e
a moça para o mar. Minha última visão foisua boca aberta e seus olhos
arregalados, em contraste com a palidez de seus belos traços. E assim ela
desapareceu sob a tempestade. Afastei-me da maré crescente, protegendo o
rosto com os braços contra a chuvarada ofuscante. Cheguei às dunas e
atravessei-as, desajeitado, até me ver entre as casas de Portsmouth. Tombei
exausto ali mesmo.
A tempestade cedeu tão subitamente quanto surgira. Quando abri os olhos,
a lua estava no céu e a brisa dobrava a vegetação gentilmente contra a minha
pele. Fiquei ali, desorientado, e olhei para a baía. O mar estava plano como
vidraça.
Caminhei entre as construções vazias, de volta para o quarto. É claro que
eu estava sonhando. Logo eu despertaria e veria um artigo escrito pela metade,
um monte de latas vazias e roupas sujas, a minha cara com a barba por fazer. É
claro que eu estava sonhando.
No entanto, acordei com as roupas encharcadas de água salgada.
Passei o dia seguinte vagando pela cidade. Esqueci completamente do
trabalho, larguei a câmera na bolsa lacrada. Repeti a mim mesmo que só faltava
uma noite e então o barco chegaria para me rebocar de volta à sanidade, ao
mundo normal. Eu não iria me permitir enlouquecer naquela sombria cidade-
fantasma.
Acabei topando com o cemitério e atravessei impulsivamente os portões
enferrujados. Voltei ao lugar onde vi a jovem pela primeira vez. Na luz brilhante
do dia, o sol refletido em areia e mar, enxerguei com clareza alguns detalhes que
não fora possível observar naquela primeira noite na ilha. Duas lápides eram
idênticas no formato e no grau de envelhecimento.
Na primeira, lia-se “Benjamin Elijah Johnson, 1826-1846” e, logo abaixo
e em letras menores, “Desaparecido em Mar”. Na segunda, logo ao lado, a frase
gravada em alabastro dizia “Mary Claire Dixon, 1828-1846”, com o mesmo
epitáfio da outra.
O mais estarrecedor eram as mãos entalhadas nas lápides. A mão na
lápide de Benjamin Johnson, embora desgastada por mais de um século e meio
de intempéries, claramente se estendia para a esquerda, em direção ao túmulo
de Mary Dixon. A mão de Mary, gravada em baixo-relevo, delgada e graciosa,
se estendia para a direita, como se ansiasse por um último carinho. Nada era
mais pungente do que aquele arranjo eterno.
A mão de Mary. Botei os dedos sobre os dela, explorando-os suavemente.
Eu conhecia aquelas curvas e sulcos, aqueles dedos esguios que o escultor
reproduzira tão habilmente. Eu havia segurado aquela mão.
Não sei quanto tempo fiquei no cemitério. As sombras começaram a se
alongar, a brisa mudou de direção, e eu tinha consciência de que, se não saísse
logo, ficaria para sempre enraizado ali. Desliguei-me do par de túmulos e corri
de volta para o quarto. Resolvi que não sairia mais. Ficaria lá, no saco de dormir
ou na cadeira de balanço, até o retorno do barco.
Naquela noite, muitas nuvens vieram de sudeste. Os ventos chacoalhavam
as persianas que restavam na velha casa. Desejei com todas as forças que o
tempo melhorasse, para que o barqueiro não perdesse a coragem. Mas, da janela
alta, vi a tempestade se aproximar da ilha e os ventos urrarem com o início da
chuva. Um relâmpago iluminou o céu de carvão, revelando-a no pátio abaixo.
Minha Mary.
Ela olhou para mim com aqueles olhos arrebatadores, os cabelos longos
escurecidos pela chuva, a graciosa silhueta coberta pelo majestoso vestido. Senti
o coração palpitar, acelerado por medo e desejo. Um segundo relâmpago
mostrou que ela acenava para mim. Tentei desviar o olhar, mas não consegui.
Ordenei que meu corpo ficasse naquela janela, mas minhas pernas
tomaram vida e me carregaram pela escadaria. Desci, pé ante pé, em
apavorante expectativa. Quando cheguei ao térreo, a tempestade havia piorado e
a casa inteira tremia sobre os pilares instáveis. Mary me aguardava na varanda.
― Você vem?
― Mary.
Ela fez que sim em silêncio, virou-se e correu para o meio da tormenta.
Fui atrás dela, disparando ensandecido por Portsmouth, esbravejando aos
céus, vomitando impropérios que se dispersavam em meio à tempestade. A
ventania, batendo nas casas vazias, soava como a risada de uma grande plateia.
Corri em direção à praia, onde eu sabia que estava o barco.
Mary já o havia lançado ao mar e fazia sinais para mim com o remo.
Lutei contra as ondas, mas finalmente alcancei a popa e subi a bordo. Ela empunhava um par de remos, com as costas arqueadas, e mergulhava a madeira
nas águas turbulentas. Havia mais um par de remos, que agarrei
desajeitadamente, tentando acertar as remadas ao ritmo dela.
Aquilo era inútil, e eu sabia. Éramos dois contra a força do oceano, dois
contra a natureza, apenas dois. Mas eu não me importava. Eu só queria saber de
Mary, agradar Mary, estar com Mary.
Mais relâmpagos cortaram os céus, iluminando a já conhecida cena do
veleiro adernado e dos botes em perigo. Não sei se foi fruto de minha
imaginação, mas vi um homem de pé na proa de um dos barcos, acenando para
nós. Com certeza foi a minha imaginação.
― Benjamin! ― Gritou Mary, olhando por cima dos ombros tensionados.
Uma onda se encrespou ao nosso lado e o sal machucou meus olhos, meu
nariz e minha garganta. Mary continuou:
― Reme mais rápido! Temos que salvar Benjamin!
E se salvássemos? Se, de alguma forma, conseguíssemos vencer a
brutalidade do mar e nos aproximar do bote, e se por algum milagre
conseguíssemos voltar à praia, o que aconteceria?
Mary teria de volta seu Benjamin, e eu teria nada. Perderia Mary.
Parei de remar e nosso barco adernou. Mary percebeu que larguei os
remos.
― Ajude-me! ― Exclamou. Seus olhos transbordaram perplexidade e a
boca perfeita quedou entreaberta, gaguejando em silêncio.
― Não. Benjamin morreu. Você é minha agora.
Retomei os remos e comecei a remar de um lado só, até virar o barco de
direção. Eu esperava que Mary lutasse, que insistisse em remar para o lado
contrário, mas ela simplesmente largou os remos, deixando-os cair ao mar.
Ficou de pé no barco, em toda graça e glória, a beleza mais profunda já
criada. Sem dizer palavra, mergulhou no mar.
― Eu te amo! ― Urrei, sem saber se fui ouvido.
Esperei longos minutos que me pareceram horas, resistindo às correntes,
aguardando que ela emergisse. Um raio caiu novamente e pude ver que o veleiro
e os botes de resgate haviam desaparecido, vítimas do mar inclemente. Em cada
crista de onda, em cada jato de espuma eu enxergava uma renda do vestido de
Mary.
Ela não apareceu mais. Retomei os remos, completamente desorientado,
lutando para voltar a terra. Só me restava remar e remar, puxando o barco
inundado contra o mar que queria devorá-lo.
A tormenta logo cedeu, e me vi jogado na areia, tossindo água salgada. O
leste começava a se iluminar com os tons róseos da aurora. Ergui-me sobre os
joelhos com dificuldade e olhei para a baía. Não havia sinal de barco, de
naufrágio, de Mary.
Arrastei-me de volta ao casarão. Levei vários minutos para me entender
com as escadas e finalmente cheguei ao meu quarto, à minha cadeira de
balanço, à minha janela alta. Reassumi meu posto de vigia, um faroleiro dos
mortos.
Três dias se passaram, e continuo no meu posto.
Espero que o barqueiro tenha desistido de mim. Com tanto medo em seus
olhos ao vislumbrar os segredos da ilha, duvido até que ele tenha desembarcado
em terra. Fico imaginando se ele comunicaria meu desaparecimento ou se tinha
suas próprias regras, suas próprias obsessões. Até que alguém me ache, pode-se
passar uma semana ou mais.
Tempo bastante para que ela me encontre, se assim quiser.
O desejo tem algo de bizarro e destrutivo, algo de estranhamente belo.
Talvez essa seja a moral deste conto, que substituiu a matéria sobre turismo em
meu laptop. Quem encontrar este relato está autorizado a fazer dele o que quiser.
Esta história foi escrita há muitas décadas e apenas o final continuava em aberto.
O final.
Escuto-a agora, abaixo de mim, em passadas graciosas como o ritmo do
mar. Ela sobe a escadaria em espiral, cada vez mais próxima.
Talvez seja apenas o vento fazendo ranger a madeira velha.
Não sei o que mais temo.
Sua chegada em rendas e fúria ressentida?
Ou sua ausência, me privando da visão de sua beleza eterna e irreal?
Quase consigo ouvi-la agora.
Quase.
***
FIM
Fonte: http://lelivros.website/book/baixar-livro-espiritos-afogados-scott-nicholson-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/
Detalhes Sobre O Que É Contos E Fabulas.
Warning! English tales and stories.
Who is the United States, and does not understand Portuguese , from tomorrow post tales and stories in English and perhaps Spanish, I hope you like because it will be dedicated to the people who Look my blog from other countries.
Aviso! Contos e Histórias em Inglês.
Para quem é dos Estados Unidos, e não entende o português, a partir de amanhã postarei contos e histórias em Inglês e talvez em espanhol, espero que goste, pois vai ser dedicado para as pessoas que olham meu blog de Outro País.
Verdadeiro eu diante de um amor - Capítulo 3- Será divertido.
Depois daquele momento em que Midorima passou ao lado de Mei, ele pôde conhece-la um pouco mais, descobriu que ela era emancipada dos pais, assim como os rapazes.
Com a jovem entregue, caminhou tranquilamente até sua casa, que não era tão longe da casa da garota. Quando chegou tomou banho e deitou-se, depois de um curto tempo, estaria a dormir profundamente.
Na manhã seguinte, pensava com si mesmo durante o banho sobre algo que havia ocorrido a uns dez minutos.
(Midorima On)
Aquele sonho que tive com ela foi tão real, eu via perfeitamente seu rosto, estava completamente encantado, até o momento que despertei e entrei na realidade, me deparei com a cabeça de outro cara na minha cama, era Kise, que por um motivo estúpido invadiu minha casa de madrugada, e em vez de dormir no outro quarto para pelo menos me mostrar que ainda restava senso naquela cabeça dele, ele me faz o favor de dormir ao meu lado!
Francamente…isso é tão frustrante, passar a noite tendo um ótimo sonho, para acordar e me deparar com a cabeça de outro cara, realmente desanimador, sinceramente, o que estou fazendo da minha juventude?!
(Midorima Off)
Dez minutos antes…
Midorima acorda, logo olha para sua esquerda, não acreditando no que estava a ver, vestiu os óculos e novamente olhou, era Kise, estava coberto até o pescoço, dormia tranquilamente.
-Kise! O QUE É ISSO?! - exclamou Midorima o empurrando
-Ah…Midorimacchi, bom dia…-disse sonolento
-COMO E POR QUE?!
-Pela janela e esqueci as chaves de casa no armário do colégio…-respondeu Kise se cobrindo até a cabeça.
-Você é idiota ou o que?! Estamos no segundo andar e a janela estava fechada! -Falou Midorima puxando o lençol de kise na tentativa de descobri-lo
-Nunca ouviu o ditado? "Porta fechada, não é porta trancada. "
-O que?! Isso nem é considerado um ditado popular seu…-puxou completamente o lençol de kise, revelando que o rapaz estaria a usar as roupas de Midorima- POR QUE ESTÁ USANDO MINHAS ROUPAS?! TOMOU BANHO ANTES DE VESTI-LAS…certo?!
-Eu já te falei…as chaves Midorimacchi e, sim, eu tomei…sabe Midorimacchi-começou Kise se sentando de frente para o tal
-O que? -Perguntou rispidamente o olhando de forma fria
-Garotas ficam mais bonitas quando se apaixonam, já os rapazes, como no seu caso, ficam muito estranhos, você não tem noção das coisas que ficou dizendo durante a madrugada, você provavelmente ia achar elas constrangedoras, sem falar que você saía e voltava da cama a todo instante, foi difícil dormir ao seu lado, mas fazer o que? Eu queria um lugar quentinho para dormir, então tive que suportar.
A cada palavra de Kise, Midorima ruborizava e não sabia onde esconder a cara, logo encontrou uma saída para cortar o assunto.
-Ora seu…! Além de invadir minha casa, ter dormido confortavelmente, usado minhas roupas limpas, ainda reclama! -Falou enquanto o empurrava para fora do quarto -Fique na sala até eu me arrumar, depois você sobe e se arruma!
-Midorimacchi!
Fechou a porta na cara de kise
Para Mei, tudo ocorreu tranquilamente em sua casa, no caminho para o colégio, dava largos passos, queria mostrar seu relatório para Momoi o avaliar.
Novamente naquele semáforo, Mei não prestava atenção, foi atravessando com o sinal ainda fechado para pedestres, quase foi atropelada, se não fosse por uma mão direita a puxa-la pela cintura de volta para a calçada.
-Acho que devia prestar mais atenção ao seu redor, apressadinha-falou Murasakibara ainda a segurando
-Desculpe Murasakibara…obrigada se não fosse por você…-disse com as bochechas levemente coradas
-Ah, sim desculpe…-a soltou
-Tudo bem…-sorriu
Logo o sinal abre e ambos voltam a andar.
-Murasakibara…como são abordados os arremessos de Midorima?
-A bola nunca havia encostado no aro, até ontem, se você acha que foi por sorte, tenho certeza que está certa, já que ele é supersticioso e as previsões que ele vê de seu signo sempre dão certo, principalmente quando ele trás um item da sorte…
-Item da sorte?? -Perguntou ainda caminhando
-Sim, são coisas aleatórias, ontem por exemplo, era uma lista telefônica.
-Lista telefônica?! -Disse surpresa segurando o riso
(Murasakibara On)
Podemos parar de falar sobre ele? Eu não quero falar de outro cara, por favor, não me faça essas perguntas…
(Murasakibara Off)
O caminho foi divertido para ambos, principalmente para Mei que pode se relacionar com outro colega de sala.
No colégio as aulas e os intervalos foram passivos, o treino a tarde teve uma duração Menor já que todos passaram um tempo procurando Murasakibara, ele estava dormindo embaixo de uma árvore, no jardim do colégio.
Quando o treino terminou, todos decidiram ficar na quadra, Mei e Momoi foram comprar algumas bebidas, kise e Akashi decidiram acompanha-las, durante o caminho novamente kise começou.
-Pequena Mei, o que acha do Midorimacchi? E do Murasakibaracchi?
-Ryouta, que perguntas são essas? Não são do tipo que se faz diretamente - falou Akashi
-Akashicchi! Eu preciso saber! é importante!
-Por que só os dois? Temos seis rapazes kise…-riu meiga
-Responda Pequena Mei!
-Ryouta, não a precione, como ela pode ter uma opinião formada sobre os dois, sendo que chegou a dois dias?
-Bom acho que eles tem uma opinião muito bem formada sobre ela-sorriu de canto
-Impossível, você está exagerando - insistiu Akashi- Daimyozamurai, não precisa responder a essa pergunta, que na minha opinião é um tanto quanto pessoal.
-Mas Akashicchi!
-Obrigada Akashi por dar um fim nesse assunto…-novamente riu
Logo chegaram numa loja de conveniências, onde compraram bastante bebidas, dividiram o peso da compra e os rapazes levaram as sacolas, no colégio, ficaram conversando e bebendo por um bom tempo, Momoi e Mei tentavam jogar basquete como os garotos, Akashi, Kuroko e Murasakibara foram ajuda-las quando notaram suas dificuldades.
(Mei On)
Eles realmente são gentis e pacientes, conseguem manter a calma com nós duas que somos um zero à esquerda na parte prática do basquete, me diverti bastante, Murasakibara parece muito mais animado do que costumo ver…
(Mei Off)
(Midorima On)
Assisti aquela cena ainda mais frustrado do que hoje cedo com kise na minha cama…ela estava feliz mas não ao meu lado…
Mas o que estou pensando?! que egoísta! Se eu a amo devo querer sua felicidade acima de tudo, de qualquer forma…tenho um concorrente, Murasakibara…vai ser divertido concorrer com você…já lhe aviso que não pretendo perder…
(Midorima Off)
Aviso!- Breve, Em Busca Da Espada De Shankar.
Essa história, é baseada numa aventura de três partes, aonde um grupo de aventureiro embarca numa grande viaje para procurar e levar para o Museu, a espada de Shankar Serar que eles conseguem?.
Não tem data para a estreia, essa história é de minha autoria e ainda está em fazes de reprovação.
Aguardem...
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
O Patinho Feio.
ERA UMA VEZ uma mamã pata que teve 5 ovos. Ela esperava ansiosamente pelo dia em que os seus ovos quebrassem e deles nascessem os seus queridos filhos!
Quando esse dia chegou, os ovos da mamã pata começaram a abrir, um a um, e ela, alegremente, começou a saudar os seus novos patinhos. Mas o último ovo demorou mais a partir, e a mamã começou a ficar nervosa…
Finalmente, a casca quebrou e, para surpresa da mamã pata, de lá saiu um patinho muito diferente de todos os seus outros filhos.
- Este patinho feio não pode ser meu! Exclama a mamã pata.
- Alguém te pregou uma partida. Afirma a vizinha galinha.
Os dias passaram e, à medida que os patinhos cresciam, o patinho feio tornava-se cada vez mais diferente dos outros patinhos.
Cansado de ser gozado pelos seus irmãos e por todos os animais da quinta, o patinho feio decide partir.
Mesmo longe da quinta, o patinho não conseguiu paz, pois os seus irmãos perseguiam-no por todo o lago, gritando:
- És o pato mais feio que nós alguma vez vimos!
E, para onde quer que fosse, todos os animais que encontrava faziam troça dele.
- Que hei de eu fazer? Para onde hei de ir? O patinho sentia-se muito triste e abandonado.
Com a chegada do inverno, o patinho cansado e cheio de fome encontra uma casa e pensa:
- Talvez aqui encontre alguém que goste de mim! E assim foi.
O patinho passou o inverno aconchegadinho, numa casa quentinha e na companhia de quem gostava dele. Tudo teria corrido bem se não tivesse chegado a primavera e com ela, um gato malvado, que enganando os donos da casa, correu com o patinho para fora dali!
- Mais uma vez estou sozinho e infeliz… Suspirou o patinho feio.
O patinho seguiu o seu caminho e, ao chegar a um grande lago, refugiou-se junto a uns juncos, e ali ficou durante vários dias.
Um dia, muito cedo, o patinho feio foi acordado por vozes de crianças.
- Olha! Um recém-chegado! Gritou uma das crianças. Todas as outras crianças davam gritos de alegria.
- E é tão bonito! Dizia outra.
Bonito?... De quem estarão a falar? Pensou o patinho feio.
De repente, o patinho feio viu que todos olhavam para ele e, ao ver o seu reflexo na água, viu um grande e elegante cisne.
- Oh!... Exclama o patinho admirado. Crianças e outros cisnes admiravam a sua beleza e cumprimentavam-no alegremente.
Afinal ele não era um patinho feio mas um belo e jovem cisne!
A partir desse dia, não houve mais tristezas, e o patinho feio que agora era um belo cisne, viveu feliz para sempre!
O Gato Das Botas.
ERA UMA VEZ um velho moleiro que tinha três filhos. Antes de morrer, reuniu os seus filhos e diante deles dividiu os seus bens pelos três.
Ao filho mais velho, o moleiro deu-lhe o moinho. Ao filho do meio deixou-lhe o burro. E ao mais novo entregou-lhe um gato.
O filho mais novo, com o gato no seu colo, comentou desiludido:
- Que vou eu fazer com um simples gato?
Qual não foi a sua surpresa quando ouviu o gato responder-lhe:
- Se me deres umas botas pretas, um fato e um saco, farei de ti um homem rico!
Assim fez o rapaz e o gato, todo aperaltado, partiu deixando o seu novo dono muito baralhado.
O gato das botas dirigiu-se ao bosque e caçou duas perdizes, que meteu dentro do saco. Dirigiu-se depois ao castelo do rei e ofereceu-as ao rei, em nome do seu amo, o marquês de Carabás.
Dia após dia, o gato continuou a oferecer presentes ao rei, em nome do marquês, o que fez com que o rei ficasse curioso em saber quem era o marquês de Carabás.
Numa bela tarde, enquanto o rapaz e o seu gato descansavam à beira rio, a carruagem do rei aproxima-se. O gato, rapidamente acorda o seu amo e diz-lhe para se despir e atirar-se ao rio. O rapaz, meio confuso, faz o que o gato lhe diz. Então o gato das botas corre em direção à carruagem, com ar aflito, e grita:
- Socorro majestade! Roubaram as roupas ao meu amo, o marquês de Carabás!
O rei, reconhecendo o nome do marquês, pára prontamente e empresta ao jovem nobres roupas, oferecendo-lhe boleia até à sua casa. O jovem entra na carruagem, meio embaraçado e aflito, pois não sabia o que dizer, sentando-se entre o rei e a sua bela filha, que o acompanhava.
O gato prontamente indica o caminho ao cocheiro do rei e, depois de a carruagem arrancar, corre desenfreado até às terras junto ao castelo do ogre.
Quando lá chegou, viu os camponeses, a quem disse:
- Se querem livrar-se do Ogre malvado, quando o rei passar digam que todas estas terras pertencem ao marquês de Carabás.
E continuou a correr, em direção ao castelo. Quando chegou, encontrou o ogre, que era o dono de todas aquelas terras, sentado a descansar. O ogre ao vê-lo, perguntou:
- Quem és tu? E que fazes no meu castelo?
Ao que o gato respondeu:
- Eu sou o gato das botas, um humilde servo vosso… ouvi dizer que possuís poderes mágicos. É verdade? Será que vós conseguiríeis transformar-vos num leão?
Ao ouvir isto, o ogre transforma-se imediatamente num enorme leão!
O gato, cheio de medo, responde:
- Que maravilha… mas será que conseguiríeis transformar-vos num minúsculo ratinho?
E o ogre, orgulhoso e imprudente, transforma-se logo num pequeno ratinho. O gato das botas, sem perder tempo, salta em direção ao ratinho e come-o.
Nessa altura, chega o coche do rei às portas do castelo, e o gato das botas dirige-se a eles para os receber:
- Bem-vindo ao castelo do meu amo, o marquês de Carabás!
O rei, impressionado com a simplicidade do jovem rapaz, que se encontrava ao pé da porta admirado, convida o agora marquês de Carabás a casar com a sua linda filha. O rapaz aceita e vive feliz para sempre acompanhado da sua bonita princesa e do seu fiel gato.
A Tenebrosa Noite De Tempestade.
A Tenebrosa Noite de Tempestade
Era uma noite chuvosa quando um pai e sua filha voltavam do hospital onde ficaram o dia inteira na espera que a esposa e mãe estava internada. Uma grave doença desconhecida consumia sua vida e os médicos não sabiam o que fazer.
Como o hospital era longe, eles tinham que cruzar uma longa estrada escura que cortava um grande bosque. O som da chuva batendo no teto do carro , fazia um barulho relaxante e a garota começou a cochilar.
Repentinamente um grande estrondo fez-se ouvir. O trovão veio forte e um relâmpago iluminou a noite. O pai segurou firme o volante e o carro derrapou na estrada molhando até bater em um barranco.
Após verificar se sua filha não estava machucada o homem decidiu sair do carro para ver os estragos que o veículo havia sofrido. Os dois pneus dianteiros estavam furados e uma das rodas amassada.
- Parece que passamos por cima de algo grande na estada. – disse o homem.
A filha, debruçada na janela, perguntou receosa:
- Mas você pode consertar pai?
- Não – disse o homem balançando a cabeça. – Eu só tenho um estepe e vou ter que voltar a pé até a cidade para encontrar alguém que possa nos rebocar, não é longe daqui. Você pode esperar no carro até eu voltar.
- Tudo bem. – disse ela . – Mas não demore muito tempo.
O pai percebeu o medo nos olhos de sua filha e afirmou que iria o mais rápido possível.
A filha olhou pelo vidro de trás até ver o pai desaparecer , andando pela estrada no meio da noite.
Havia passado mais de uma hora e o homem ainda não tinha retornado. A garota começou a ficar preocupada, qual seria o motivo de tanta demora? Será que seu pai não havia encontrando nenhum reboque? O medo de ficar naquela estrada escura aumentava cada vez mais até que ela viu um vulto ao longe, vindo pela estrada.
Inicialmente ela ficou alegre, pois pensou que fosse seu pai, porém a alegria inicial foi virando medo quando ela pode perceber que era um homem estranho que vinha andando pela estrada. Agora, mais perto e iluminado pelos eventuais relâmpagos podia ver que se tratava de um homem alto, vestindo macacão e com uma barba em torno do rosto. Notou que algo grande estava sendo carregado em sua mão esquerda.
A garota começou a ficar nervosa e rapidamente trancou todas as portas do carro, após fazer isto e se sentir mais segura olhou para fora: o homem havia parado e olhava fixamente para ela a uma distância alguns metros.
De repente ele levantou o braço e a menina soltou um grito horripilante. Seu corpo todo tremia, as lágrimas invadiram seus olhos e apavorada viu que na mão esquerda o homem segurava a cabeça decepada de seu pai.
Seu coração batia aceleradamente e ela gritava sem parar. A expressão grotesca deu seu pai era horrível. A boca estava entreaberta com a língua de fora e os olhos estavam todos brancos.
Do lado de fora, colado em sua janela o homem olhava com raiva para ela. Seus olhos estavam injetados de sangue e seu rosto era coberto de cicatrizes. . Por um breve momento ele ficou sorrindo para ela como se fosse um louco, então lentamente ele colocou a mão no bolso e tirou algo e agitou para que ela visse.
Na sua mão estava as chaves do carro do seu pai...
A Raposa e o Tanuki.
Muito, muito tempo atrás, uma raposa encontrou um tanuki.
“Como vai tudo, Tanu-kun? Quando se trata de transformação nós dois somos os melhores do mundo, mas eu imagino quem seria o número um, eu ou vocêf?”
O tanuki não respondeu, mas apenas apontou para o próprio peito.
“O que você quer dizer? Você acha que você é o melhor transformador?”
“Isso é certo”, disse o tanuki. Então, eles decidiram ter um concurso de metamorfose.
Uma vez que foi decidido, a raposa não perdeu tempo. “Se eu não superar esse tanuki metido”, pensou a raposa, “será uma vergonha para a fama das raposas.”
Só então a raposa notou uma pedra memorial em pé ao lado da estrada. Assim, a raposa ficou bem próximo a ela e se transformou em uma estátua de Jizo-sama.
Estátua de Jizo no templo de Nenbutsu em Kyoto : http://www.otagiji.com/
Em pouco tempo, o tanuki apareceu. Este tanuki tinha um hábito curioso – sempre que via Jizo-sama, ele ficava com fome e comia o almoço que ele estava carregando. Neste dia não foi diferente.
“Meu Deus, eu estou com tanta fome. Acho que vou almoçar.”
O tanuki pegou o almoço que ele estava carregando em suas costas e tirou alguns bolinhos de arroz. Ele colocou um diante de Jizo-sama como oferenda, e inclinou a cabeça.
Talvez ele tivesse orado “que a raposa será vencida no concurso de transformação.” Mas, quando ele levantou a cabeça e abriu os olhos, foi pego de surpresa. O bolinho de arroz que ele tinha oferecido não estava mais lá. Isso foi estranho. Pensando nisso, ele se perguntou se talvez ele realmente não tivesse feito a oferta. Então ele com muito cuidado colocou outro bolinhol em frente à estátua de Jizo-sama. Ele abaixou a cabeça, orou “Namu Amida Butsu, Namu Amida Butsu” e levantou a cabeça imediatamente. O quê? O bolinho tinha sumido!
“Isso não está certo!”
O tanuki colocou mais um bolo de arrozna frente de Jizo-sama, disse rapidamente: “Namu Amida -” e levantou a cabeça antes que pudesse sequer ter a certeza que ele tinha realmente abaixado. O que ele viu foi Jizo-sama com um bolinho de arroz meio comido em uma das mãos.
“Ei!” o tanuki gritou, e agarrou o braço de Jizo-sama. O que havia sido Jizo-sama voltou à sua forma habitual, a raposa.
“O que é tudo isso, Kitsune-san?” perguntou o tanuki.
“Agora é a sua vez”, respondeu a raposa. O tanuki pensou por um momento, e levou de volta o que restava do bolinho antes de falar.
“Cerca de meio dia de amanhã eu me transformar no senhor do castelo e passar por aqui, e então olhar de perto.”
E assim, a raposa ficou esperando lá no dia seguinte. Finalmente, ele viu a procissão do senhor vindo em sua direção.
Primeiro vieram os varredores gritando “Abaixo! Todo mundo no chão!” Depois disso veio uma longa fila de samurai, e, em seguida, a liteira em que o senhor estava sentado. A raposa estava cheio de admiração, e correu para a liteira do senhor, sem sequer pensar mudar para a forma humana.
“Senhor Tanu, senhor Tanu”, ele chamou, “você me venceu.”
No entanto, a procissão não era uma transformação do tanuki, e sim uma procissão de verdade. E assim, um dos samurais carregando um grupo correu para a raposa. A surra que raposa levou foi severa. E de verdade.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Contos Fabulosos-#03 A Cigarra e a Formiga 2
Apavorou-se com o frio da próxima estação.
Sem mosca ou verme para se alimentar,
Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha,
pedindo-lhe alguns grãos para agüentar
Até vir uma época mais quentinha!
"Eu lhe pagarei", disse ela,
"Antes do verão, palavra de animal,
Os juros e também o capital."
A formiga não gosta de emprestar,
É esse um de seus defeitos.
"O que você fazia no calor de outrora?"
Perguntou-lhe ela com certa esperteza.
"Noite e dia, eu cantava no meu posto,
Sem querer dar-lhe desgosto."
"Você cantava? Que beleza!
Pois, então, dance agora!"
Verdadeiro Eu Diante De Um Amor- Capítulo 2 - O céu que apreciei ao seu lado
Depois daquele momento que Midorima e Murasakibara passaram "paralisados", todos guardaram o material que usaram no pequeno treino, trocaram suas roupas e foram para a sala onde tudo ocorreu de forma tranquila.
No primeiro intervalo, os rapazes se juntaram numa mesa para comerem, como de costume, Mei e Momoi chegaram um pouco depois, Momoi novamente puxava Mei pelo braço, óbvio que a jovem estava sem graça de sentar no meio de rapazes que havia acabado de conhecer:
-Momocchi, você trouxe a Pequena Mei! Como estou feliz! - Disse kise abraçando fortemente a garota enquanto esfregava sua bochecha na dela
-"Pequena Mei"?! -Disse a mesma surpresa
-Hey Kise deixe-a comer!-exclamou Momoi chutando diversas vezes a Perna de Kise
-Momocchi, pare de ser egoísta! Você quer que eu saia de perto dela, só para você sentar aqui! -Resmungou o rapaz apertando ainda mais a garota
-Kise, você é barulhento demais…solte-a, é tão difícil? -Falou seriamente Midorima como se apenas estivesse incomodado com o barulho que Kise estaria a fazer -Vai assusta-la em seu primeiro dia de aula, que impressão você acha que e-ela terá de…nós? - as bochechas de Midorima ruborizaram e ele parou de falar.
(Midorima On)
Droga! Nossos olhares se encontraram e eu gaguejei! O que é isso?! É apenas uma garota!
(suspiro)
Que faz meu coração bater rapidamente só de olhar-la…
Pare de me olhar! Não vê que estou sem jeito?!
(Midorima Off)
(Mei On)
Midorima falando daquele jeito parecia até um pai protetor, um irmão mais velho ou, até mesmo, um namorado ciumento, não conseguia parar de olhar para ele, pelo jeito estava tão concentrado em dar o sermão que não notou até nossos olhares se cruzarem, neste momento eu se calou e repentinamente suas bochechas coram, que fofo! Acho que ficou envergonhado de agir assim na frente dos amigos.
(Mei Off)
O primeiro intervalo foi bem agitado com a presença de kise, depois retornaram as aulas. No segundo intervalo, a situação foi menos agitada, já que Momoi teria ido até o jardim com Mei para lhe dar mais algumas instruções sobre o que ambas fariam durante o treino que aconteceria naquela tarde.
Logo, era o fim da última aula, as meninas chegaram mais cedo que os rapazes, pois teriam de pegar algumas toalhas e as bolas que eles usariam numa sala onde só havia artigos esportivos
-Momoi…quantas toalhas devemos pegar?? -Perguntou Mei
-Bom…geralmente eu não conto quantas eu pego, apenas vou pela quantidade que me passa pela cabeça- sorriu sem jeito colocando a destra atrás da nuca
-Sério? E nunca faltou? -Questionou Mei pegando várias toalhas de uma vez.
-Sim, já faltaram algumas vezes e outras sobraram -Dizia puxando um enorme carrinho cheio de bolas de basquete.
-Por que não conta quantas foram usadas?
-Eu já fiz isso, mas não deram conta, desde então vou pela sorte.
-Ousada- disse rindo meiga enquanto saía da sala
-Só um pouquinho- riu junto- preste atenção no treino de hoje, pois amanhã vou querer um relatório, certo?
-Certo! -Disse determinada.
Chegando na quadra, lá estavam os rapazes a se aquecer para começarem, Mei deixou as toalhas no banco e Momoi levou as bolas até os mesmos.
Quando iniciaram, Mei observava todos com muita atenção, notara que Midorima estava distraído,ele acertava os arremessos por sorte.
-Será que ele está bem? Bom, eu não conheço o modo que ele joga, não posso tirar minhas conclusões- falou para si mesma
O treino termina depois de duas horas, os rapazes arrumaram tudo novamente, se trocaram e foram embora, Momoi fizera o mesmo, Mei permaneceu na quadra, queria acabar o relatório o quanto antes, Midorima ficou para pegar alguns pertences em seu armário, enquanto caminhava em direção à saída, percebe que as luzes da quadra estariam acesas, curioso, foi até o local, quando chegou viu Mei sentada num canto com seus materiais, escrevendo algo na prancheta.
(Midorima On)
Está quieta, parece um pouco tensa, mesmo assim é adorável, ainda mais agora que prendeu sua franja com uma presilha, revelando seu outro esverdeado olho.
-Precisa de ajuda?Parece estar com dificuldades- Falei me aproximando
-Ah! Olá Midorima, está tudo sob controle -disse na tentativa de esconder seu problema
Mentirosa…assim que ela terminou de falar, tirei a prancheta de suas mãos: ela havia escrito apenas duas linhas.
-Sob controle né? -Falei ironicamente lhe devolvendo a prancheta.
-M-Midorima, tudo bem eu terminarei…
-Vamos, me dê um espaço…-Falei me sentando ao lado dela.
Eu pedi para que ela me explicasse tudo, começou a falar enquanto falava o doce cheiro de seu shampoo invadiu meu nariz, era doce como sua voz, quase me perdi naquele momento, mas me conti e prestei atenção à sua explicação, dada às informações necessárias eu a auxiliei e em menos de vinte minutos, já teria terminado, arrumou calmamente seus materiais e quando terminou com um sorriso me disse :
-Obrigada Midorima você me ajudou muito, bom, já…-
-Vamos…-falei olhando para ela.
-Para onde? -me perguntou inclinando levemente sua cabeça para a direita
-Ora! Para sua casa sua boba! Escureceu não notou? Vou te levar, é mais seguro…-respondi começando a caminhar
Ela correu um pouco para me alcançar, logo estávamos a caminho de sua casa, ficamos conversando sobre assuntos aleatórios,ela sorria a todo instante, me senti calmo.Em certo ponto do caminho olhei para o céu, estava mais bonito,mais brilhante, talvez seja porque foi o primeiro céu estrelado que presenciei ao seu lado, a garota pelo qual estou apaixonado, naquele instante queria que o tempo parasse só para apreciarmos aquele céu o quanto quiséssemos…
(Midorima Off)
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