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sábado, 30 de janeiro de 2016

Detalhes Da Fanfic- Verdadeiro Eu Diante De Um Amor.

Escrita por: ~majuusa-chan

Postado em 30/01/2016 16:31
Categorias Kuroko no Basuke
Personagens Akashi Seijuro, Aomine Daiki, Kise Ryouta, Kuroko Tetsuya, Midorima Shintarou, Momoi Satsuki, Murasakibara Atsushi, Personagens Originais
Tags Harem, Kuroko No Basket, Shoujo
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Esporte, Harem, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência

Verdadeiro eu diante de um amor - Capítulo 1- Primeira vez que...

Midorima On)

Primeiro dia de aula, 7:30 da manhã, sinto meu corpo pesado, está nítido que eu estou com a menor vontade de levantar, mas como é minha obrigação, levantei-me coloquei o uniforme, arrumei tudo e saí tranquilamente de casa.
Sou estudante do segundo ano do ensino médio, tenho cabelos e olhos verdes, pele um pouco branca, uso um óculos de armação preta, possuo 1,92 de altura, estou no time de basket do colégio Teiko, minha especialidade é arremessos de três pontos.
Numa certa parte do caminho, há um semáforo onde tenho que esperar ele abrir para atravessar, enquanto esperava sinto um impacto, alguém havia escarrado em mim e imediatamente uma voz doce e tímida disse:
"Desculpe"
Antes que eu pudesse ver a figura, o semáforo abriu e ela desapareceu no meio das pessoas, eu, no entanto dou continuidade ao meu trajeto.

(Midorima Off)

(Mei On)

Meu primeiro dia de aula no novo colégio, estou tão eufórica, espero que eu consiga uma vaga como aprendiz de Manager num clube esportivo, de tão ansiosa, acordei dez minutos antes do que de costume, me arrumei e saí as pressas de casa.
Tenho cabelos curtos e azuis claro, uma franja que cobre meu olho direito, olhos verdes, possuo 1,65 de altura, sou novata no colégio Teiko e estou no segundo ano de ensino médio.
Estava tão apressada, que mal prestava atenção no que havia na minha frente, por conta desse descuido, esbarrei em alguém, não vi quem era, mas a pessoa era muito alta, imediatamente me desculpei e voltei a caminhar.

(Mei Off)

(Midorima on)

Cheguei no colégio e já avistei Kise e Murasakibara "conversando":

-Murasakibaracchi! Eu que comprei para nós comermos! se é para nós dois…POR QUE ESTÁ ME NEGANDO UM POUCO?! - Disse kise pulando para alcançar o saco de batatas que Murasakibara segurava no alto.

-Você é irritante! Vou te esmagar ki-chin…- falou Murasakibara cobrindo o rosto de kise com sua destra

Ah cara! Como são infantis!

Kise tem cabelos loiros, olhos amarelados, pele clara, tem um furo em sua orelha esquerda, possui 1,89 de altura, é extremamente extrovertido, digamos que a "criança" do time de basquete, sua especialidade é copiar os movimentos do adversário, ele e Murasakibara são dois dos meus colegas de sala.
Murasakibara tem cabelos um pouco longos e roxos, olhos da mesma cor, pele também é clara, possui 2,02 de altura é o mais alto do time sua especialidade é defesa, preguiçoso e viciado em guloseimas.

-Ah! Midorimacchi! -Correu kise me abraçando fortemente

-Oi kise…-Falei tentando me soltar

-Mido-chin…Bom dia

-Bom dia Murasakibara…

-Ah…Murasakibara, kise,Midorima, vamos ter um treino antes da aula hoje, o Treinador está nos chamando disse que Momoi irá nos dar uma notícia também…- falou tranquilamente kuroko se aproximando

-Tudo bem, logo estaremos lá…-falei já livre dos braços de kise

Kuroko tem cabelos e olhos azuis claro, possui 1,68 de altura, não tem nem altura mínima para ser um jogador de basquete, eu o admiro muito, ele é nosso six man, um fantasma na quadra por assim dizer, é silencioso e observador, os passes dele são os melhores.
Depois do aviso de Kuroko, fomos para a quadra onde encontramos Aomine e Akashi treinando.
Aomine tem olhos e cabelos azuis escuro tem 1,93 de altura, sua pele é um pouco mais escura que os demais membros do time, é nosso ás, ele é Kuroko formam uma boa dupla, como luz e sombra, é viciado em revistas de modelos de biquíni, algo que realmente não me interessa, de vez em quando seu ego toma conta de seu corpo.
Akashi, cabelos vermelhos, olhos heterocromáticos (direito vermelho, esquerdo amarelo), pele clara, possui 1,70 de altura, é nosso capitão, sua especialidade é usar seu olho imperial, consegue derrubar qualquer um com aquele olhar, é muito bem dotado, vem de uma família rica, gentil com todos, principalmente com as garotas é inteligente, a única coisa que não gostaria de ver é ele irritado com algo ou alguém, ele, junto com Aomine e Kuroko são do segundo ano e estão na minha sala.
Depois de me aquecer comecei meu treino.

(Midorima Off)

(Mei On)

Cheguei no colégio e imediatamente fui ao encontro do treinador, eu o acompanhei até a quadra, durante o trajeto me explico a situação sobre tudo, quando cheguei lá, ele me deixou nas mãos de uma garota, seu nome é Momoi, tem longos cabelos cor de rosa, mesmo porte físico que o meus, olhos avermelhados,pele clara tem 1,65 de altura também, estava usando um uniforme muito fofo do time, que tinha uma saia já que era feminino.

-Prazer em conhece-lá Mei Daimyozamurai, você provavelmente sabe quem eu sou, de agora em diante serei eu que vai te ensinar a ser uma boa Manager, vamos cuidar juntas dos rapazes-disse eufórica me abraçando

-Estou feliz em trabalhar com você Momoi…-sorri.

-Bom agora que já nos conhecemos, precisa conhecer os rapazes que você me ajudará a tomar conta- Falou me puxando pelo braço até o meio da quadra -Estes são: Akashi Seijuro, Murasakibara Atsushi, kise Ryouta, Kuroko Tetsuya, Aomine Daiki e por fim, Midorima Shintaro-ela dizia calmamente enquanto apontava para os rapazes dizendo seus respectivos nomes.

-Essa meninos, é minha aprendiz, logo, logo ela se tornará uma Manager como eu e me ajudará a cuidar de vocês, apresento-lhes: Mei Daimyozamurai

-Prazer em conhece-los, estou feliz em trabalhar com vocês- esbocei um sorriso amistoso.

(Mei Off)

(Kise on)

Durante o treino,notei que no canto da quadra, Momocchi falava com outra garota, eu nunca a tinha visto, aparentava ser muito fofa, no entanto, eu parecia ser o único sem notar, já que todos estão concentrados, me aproximei de Midorimacchi e falei:

-Midorimacchi, você já viu aquela garota em algum lugar?

-Kise…talvez seja novata…-disse sem mesmo olhar para a mesma

-Provavelmente…

Não demorou muito e lá estava Momocchi a puxando para o meio da quadra, onde ficou nos apontando e dizendo nossos nomes, Midorimacchi e os outros estavam sérios ou simplesmente desinteressados, o.nome da garota é Mei, sua voz é muito bonita, doce, não esperaria menos de uma garota tão gracinha como ela, nesse mesmo momento, olhei para Midorimacchi, seus olhos brilhavam e aquela cara séria sumiu, ele parecia surpreso, aproveitei para comentar com Murasakibaracchi:

-Hey Murasa…-parei de falar no mesmo instante que coloquei os olhos nele, como é possível?! Está com a mesma expressão de Midorimacchi.

Logo notei o porque esses dois estavam tão surpresos, provavelmente porque seus corações batiam rapidamente, estavam apaixonados, foi a primeira vez que assisti uma cena assim: onde duas pessoas consideradas insensíveis se apaixonam pela mesma pessoa no mesmo instante…

(Kise Off)

Notas Finais

Bom foi isso…espero que tenham gostado, tentarei mandar os capítulos regularmente ^.^

Aviso!

Devido a diretrizes da história, Nós não iremos postar mais, a Fanfic Coração Indomável, infelizmente isso ocorreu, mais hoje irei postar história visando o mundo Fanfic.

Hoje Vamos estreiar, a Fanfic- Verdadeiro eu diante de um amor, espero que goste.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O Gol De Murilo!

- Não quero ir ao treino de futebol hoje mamãe.

- Por que filho?

- Queria tanto fazer um gol, mas não consigo, por isso não quero ir mais!

- Mas filho, não desista, pois quando você menos esperar sua hora vai chegar.

Murilo foi ao treino naquele dia, mas não teve sucesso e não fez nenhum gol e isso o deixou ainda mais triste.

- Falei para a senhora que não queria ir.

- Não desista, como já falei, sua hora vai chegar é só ter calma e concentração nos jogos.

- Não quero ir mais, nunca mais e estou falando sério!

- Você sempre quis jogar futebol, não me deixou em paz até eu te matricular em uma escolinha e na primeira dificuldade quer desistir? Mas não vai mesmo, fazendo gol ou não você irá até o fim na escolinha.

- Mas mamãe, meus colegas ficam rindo de mim porque nunca fiz um gol.

- Não se preocupe com seus colegas, mostre a eles que você é capaz, eu acredito em você!

- Mas não é tão fácil assim.

- É sim, faça os treinos com mais tranquilidade, não fique tão aperreado por não fazer os gols, na hora certa, ele acontecerá.

Murilo continuou indo aos treinos e nada de fazer gols, mas seguiu os conselhos da sua mãe e não mais se importou com as brincadeiras chatas dos seus amigos e nem ligou mais em querer tanto fazer um gol, apenas aproveitou da melhor forma possível seus treinos de futebol e se divertia muito nas aulas.

- Sabe mamãe, depois daquela nossa conversa descobri que ficar preocupado querendo fazer um gol estava me tirando a alegria de treinar futebol, não estou nem mais me importando em fazer um gol.

- Muito bem filho, que bom que você aprendeu tudo que te falei.

O tempo passou...

- Filho hoje irei assistir suas aulas de futebol.

- Que bom mamãe, então vamos que já esta na hora.

A mãe sentou e ficou a observar seu filho no jogo, naquele dia ele não teria treino e sim uma pequena partida de futebol, ela ficou lá, sentadinha, olhando seu filho jogando e para ela, ele era o melhor. Percebeu que o filho estava de frente para o goleiro com a bola nos pés e então ela deu um grande grito:

- Chuta forte filho!!!

E ele chutou e fez um lindo gol, um maravilhoso gol que a mãe ficou feliz da vida pulando e gritando de alegria, o filho depois daquele golaço correu até a mãe e lhe deu um forte abraço, um super beijo e falou:

- Obrigado por não me fazer desistir mamãe, te amo!

A mãe ficou feliz e com lágrimas nos olhos.

Aquele jogo nunca mais saiu da memória do filho, pois ele enfim conseguiu seu tão sonhado gol e nem saiu também da memória da mãe, pois ela guardou para sempre aquele momento em seu coração!

Aviso!

Comentem aqui, oque vocês gostariam de ler, tais como contos ou histórias de suas preferência do tipo Terror, Ação, Comédia,  e Etc..

Eu responderei a todos e tentarei fazer o possivel e o impossivel pra atende-los.

Abraço pra todos e até breve.

Era para ser um dia perfeito, mas choveu!

Lara esperava há muito tempo pelo dia em que iria desfilar na rua onde morava. Todo ano, no mês de julho, aconteciam desfiles em sua rua, ela nunca participou, pois não tinha idade, mas este ano seria diferente, enfim poderia participar e aquele seu primeiro desfile teria que ser perfeito.

- Mamãe, mamãe, estou muito ansiosa! – Falou Lara.

- Se acalme minha filha, não precisa ficar assim.

- Mas mamãe, a senhora é testemunha do quanto sonhei com o dia em que enfim iria desfilar em nossa rua, este dia tem que ser PERFEITO!

- Claro que sei o quanto você sonhou com o dia de hoje, se acalme, tudo será perfeito.

- Tomara mamãe, tomara...

O dia foi passando e Lara não conseguiu descansar nem um minutinho, passou todo o dia só pensando na hora do desfile e desejando que fosse um dia perfeito.

- Vamos Lara, esta na hora de se arrumar, o desfile logo irá começar.

- Que alegria!!! Estou indo mamãe.

Lara se arrumou e ficou linda, uma bela menina, saiu com sua mãe e ao colocar um pé na rua sentiu pingos de chuva e gritou:

- Não acreditooooo, vai chover!!!

- Calma Lara, não precisa ficar assim...

- A senhora não entende mamãe, hoje era para ser um dia perfeito, mas não será, pois vai chover!

- E quem disse que a chuva causa imperfeição?

- Eu mamãe, eu disse, claro que causa. Como poderei desfilar em baixo da chuva? Como?

- Minha filha, sol e chuva são bênçãos de Deus e ambos têm que ser recebidos com muito entusiasmo.

- Mas foi chover logo agora, passou o dia todo com um lindo céu azul e logo agora, na hora do desfile, toda essa chuva...

E Lara começou a chorar.

- Larinha, falou a mãe, não deixe que nada tire a sua alegria pelo dia de hoje, o dia que você tanto esperou. Você vai brilhar seja na chuva, ou no sol. Sorria, erga a cabeça e vamos desfilar.

Lara se sentiu muito feliz e motivada com tudo que a mãe falou, enxugou as lágrimas, ergueu a cabeça e foi ao tão sonhado desfile. Desfilou brilhantemente na forte chuva, pois naquele momento a chuva não mais a preocupava... Nada mais poderia atrapalhar e tirar seu brilho no tão sonhado desfile.

- Filha como você estava linda desfilando.

- Mamãe estou tão feliz, realmente nada, nem a chuva, atrapalhou meu dia hoje, ele foi perfeito!

- Que bom filha, estou tão orgulhosa de você.

- Obrigada mamãe, orgulho tenho eu de ter uma mãe maravilhosa como a senhora.

E abraçadas entraram em casa, aquele foi um dia perfeito e felizes elas foram dormir.

Não deixe que nada tire a alegria de fazer você brilhar, sempre!

Mamãe quero ter um irmãozinho!

Bento sempre quis ter um irmãozinho, pedia muito a sua mamãe, mas ela sempre falava:

- Deus saberá a hora certa meu filho.

O tempo passou, Bento foi crescendo e sua vontade de ter um irmãozinho só aumentando, ele queria muito ter alguém com quem pudesse brincar, abraçar, queria um irmãozinho para amar. A maioria dos seus amigos tinham irmãos e porque só ele não tinha?

- Mamãe preciso muito de um irmãozinho, quando ele vai chegar?

A mamãe também queria muito ter mais um filho, queria muito ter mais um ser para amar sem medidas, para encher de beijinhos e trazer mais alegria para aquele lar já tão feliz, mas nem tudo acontece como a gente quer, tudo é no tempo de Deus.

- Você já pediu ao papai do céu um irmãozinho? – Perguntou a mãe a Bento.

- Não! – Ele respondeu.

- Pois peça meu filho, Deus gosta muito de ouvir as orações das crianças, Ele fica muito feliz e pensa com muito carinho nos pedidos que as crianças fazem a Ele.

- Pois esta noite irei pedir a Deus com muito carinho um irmãozinho para mim.

Quando a noite chegou... Já em seu quarto, Bento sentou na cama, rezou com muito carinho e com toda força em seu coração pediu que Deus o enviasse o irmãozinho e depois de rezar, adormeceu.

Passaram-se alguns meses, Bento já nem falava mais em ter um irmão, pensava que este dia nunca iria chegar, mas numa certa noite, quando estavam reunidos na mesa na hora do jantar, seu pai e sua mãe lhe deram a melhor notícia de sua vida:

- Bento, você vai ganhar um irmãozinho!

Bento ficou muito feliz, pois seu tão desejado irmãozinho iria chegar, alguém com quem ele pudesse brincar, dividir seus brinquedos e principalmente alguém que ele iria amar demais.

E quando os pais perguntavam:

- Bento você quer ter um irmãozinho ou irmãzinha?

Ele sempre falava:

- Ah mamãe e papai, Deus que escolhe, o importante é que enfim vou ganhar um irmãozinho!

E aqueles foram dias felizes, Bento já não se sentia sozinho, pois seu irmãozinho ou irmãzinha já estava a caminho...

Os pingos de chuva.

Estava muito quente daquele dia, as flores do jardim não sabiam mais o que fazer para se protegerem daquele sol incrivelmente forte, muitos passarinhos tentavam ajuda-las levando em seus bicos pequenas gotas de água para tentar saciar a sede que elas sentiam, mas não estava adiantando muito, as podres florezinhas, de uma em uma iam desmaiando de sede, de calor e de falta de sombra.

- O que podemos fazer para ajuda-las?  - Perguntou o beija-flor.

- Tudo o que estava ao nosso alcance fizemos, nossos pequenos demais para trazer água suficiente para saciar a sede das flores. – Falou a borboleta.

- Mas temos que fazer mais, elas vão morrer de não beberem água! Vamos agora mesmo falar com o sol. – Falou o beija-flor.

- Falar com o sol? Ninguém fala com o sol! – Disse a borboleta.

- Mas nós iremos agora mesmo.

O beija-flor voou o mais rápido que pôde em direção ao sol e a borboleta seguiu atrás dele.

- Sol, sol! – Gritou o beija-flor.

- Quem me chama?  - Respondeu o sol.

- Somos nós, o beija-flor e a borboleta. Queríamos te pedir um favorzinho...

- Que favorzinho seria esse?

- Precisamos que você não aqueça tanto a terra, nossas amigas flores estão muito secas por sua causa.

- Ôh pequeno beija-flor, muito bonito da sua parte vim até aqui pedir minha ajuda para salvar suas amigas flores, mas nada posso fazer, vá procurar as nuvens, quem sabe elas podem te ajudar.

O beija-flor e a borboleta se despediram do sol e foram atrás de alguma nuvem pelo céu, mas estava muito difícil, o céu estava lindamente azul sem nenhuma nuvenzinha branca.

- Beija- flor, falou a borboleta, vi logo cedo umas nuvens se formando no céu, se voarmos mais um pouco, acho que podemos encontrá-las.

E eles voaram, voaram muito pelo céu... até que encontraram muito longe do jardim das flores umas nuvens um pouco cinzas.

- Olá nuvens, falou o beija-flor, precisamos da ajuda de vocês.

- Em que podemos lhes ajudar? - Falaram as nuvens.

- Em um jardim, não muito longe daqui, existem lindas flores que estão morrendo de sede e calor por conta do sol forte que esta fazendo por lá, já fomos pedir para o sol nos ajudar, mas ele falou que não poderia fazer nada e que nós procurássemos vocês.

- Pequeno beija-flor e pequena borboleta muito bonita a atitude de vocês tentando ajudar as lindas flores do jardim. Estávamos nos preparando para chover aqui neste lugar, mas vocês chegaram mesmo na hora em que nossas primeiras gotas iriam cair.

- Será que essas gotinhas de chuva não poderiam cair bem em cima do nosso jardim? – Perguntou a borboleta.

As nuvens se entreolharam e falaram:

- Ótima ideia borboleta!

O beija-flor e a borboleta estavam felizes demais, saíram voando radiantes e as nuvens o seguiam logo atrás. Ao chegarem ao jardim, ficaram desesperados, pois todas as flores estavam murchas, caídas e quase sem vida.

As nuvens não pensaram duas vezes e começaram a deixar cair os primeiros pingos de chuva naquele jardim, sobre as belas flores. Assim que os pingos caiam sobre as flores, elas iam criando forças, reagindo, levantando e voltando ao normal. O beija-flor e a borboleta deram um grande abraço de alegria.

- Suas lindas flores voltaram ao normal, mas lembrem-se que elas precisam receber água todos os dias. – Falaram as nuvens.

- Mas com esse sol fortíssimo é muito complicado elas receberam água todos os dias. – Falou a borboleta.

- Não reclame do sol amiga borboleta, ele é muito importante também para a formação da chuva.

- Mas como? – Perguntaram os dois de uma só vez.

- A água que fica na terra, quando é aquecida pelo sol, evapora e se transforma em vapor de água, este vapor de água se mistura com o ar e, como é mais leve, começa a subir, formando nuvens como nós, e quando ficamos pesadas demais desse vapor de água, essa água acaba caindo formando a chuva.

- Então foi por isso que o sol pediu para irmos atrás de vocês.

- Claro que sim, o sol é muito esperto!

- Na natureza tudo tem um por que, e isso é fantástico! – Falou a borboleta.

- Claro que sim borboleta, cada coisinha na terra foi planejada perfeitamente pelo Grande Criador, Ele pensou em tudo, por isso, devemos amar o sol, a chuva, o calor, o frio, tudo tem um por que. – Falaram as nuvens.

- Agora que sabemos como a chuva se forma, iremos ficar sempre de olho em nuvens como vocês pelo céu e pedir para sempre que possível deixar algumas gotinhas de chuva aqui, em nosso jardim. – Falou o Beija-flor.

As florzinhas que estavam radiantes, felizes, belas e cheirosas como nunca começam a cantar uma linda canção e todos no jardim agradeceram por mais um dia de sol, de chuva, pela natureza e por fazerem parte deste universo maravilhoso chamado terra.

- Não sabemos o que seria de nós sem a ajuda de vocês queridos amigos beija-flor e borboleta. – Falaram as flores.

- Não precisa agradecer flores, faríamos tudo novamente se preciso fosse, devemos sempre ajudar uns aos outros. – Falou o beija-flor.

- Verdade, ajudar sempre! – Falou a borboleta.

E aquele não foi um dia como outro qualquer naquele jardim, foi um dia repleto de ensinamento, alegria, solidariedade, amizade e principalmente muito amor. E que dias assim, sempre possam existir pelos jardins da vida!

O Sentido da Gratidão.

O Homo technicus-economicus julga-se autossuficiente. Arrogante, demiurgo, autocomplacente, põe e dispõe de tudo o que o planeta lhe oferece. Outorga-se todos os direitos, ignora todos os deveres, e corta todos os laços que o unem aos outros seres humanos, à natureza, à história, ao cosmos. Leva tão longe a sua emancipação que corre o risco de soltar todas as amarras e de desligar, de se desligar, de se autoexpulsar da criação.

A sua ideologia é tão simplista que qualquer fundamentalismo religioso parece subtil e pluralista em comparação. Funciona segundo um só preceito, uma só lei, um só parâmetro, um só padrão: o rendimento! Será difícil não perceber que cada subsídio retirado à cultura e à educação terá de ser multiplicado por cem para poder custear os serviços médicos, a ajuda social e a segurança policial? Sem conhecimento, sem visão e sem imaginação, qualquer sociedade soçobra, mais cedo ou mais tarde, no absurdo e na agressão.

Existe, contudo, um antídoto para este veneno. É a gratidão.

Só a gratidão impede a nossa correria ávida, só ela dá acesso a uma abundância sem limites. A gratidão revela que tudo é um dom e que esse dom é imerecido. Não porque somos indignos dele, segundo uma ótica moralizante, mas porque o nosso mérito nunca será suficientemente grande para contrabalançar a generosidade da vida.

Um jovem colhe uma rosa do jardim, às escondidas. Mas o jardineiro viu-o. Aproxima-
-se dele com um sorriso e pergunta-lhe:

— Porque levas essa rosa como um ladrão, quando eu me preparava para te oferecer o jardim?

À superabundância generosa da Criação, respondemos com uma avidez ardilosa. A Vida dá-nos em abundância aquilo que o nosso sistema económico lhe tira através da astúcia e da agressão manipuladoras. Que temos nós, afinal, que não tenhamos recebido como dom? Se olhar à minha volta, vejo que a resposta é “muito pouco”. A terra onde pouso os pés, o ar que respiro, de quem são? De quem é a língua que falo? E estes conhecimentos que julguei meus? Esta mão que segura a caneta? E este corpo generosamente emprestado por um tempo?

“Nada tens que não tenhas recebido. Porquê glorificares-te, então?” pergunta um Padre da Igreja.

Não existe nenhuma invenção individual que não se inscreva na interminável lista de inovações pré-existentes, nenhuma nota que não faça parte de uma sinfonia sem princípio nem fim. E, contudo, nada é mais precioso e mais insubstituível neste imenso concerto que é o mundo do que a singularidade de cada voz e de cada ser.

O início de qualquer vida consciente é a gratidão. Quando aprendemos a discernir os traços de outros seres humanos, vivos ou mortos, a nossa forma de estar na vida dilata-se e engrandece-se.

Testemunhei o episódio seguinte, aquando da visita de um amigo budista e da sua filha de três anos a nossa casa. Estávamos a tomar o pequeno-almoço, e a menina, chamada Sofia, tinha começado a riscar a mesa com a faca. O pai deteve-lhe a mãozinha, com doçura:

— Para, Sofia. De quem é esta mesa?

A miúda respondeu, amuada:

— É da Christiane.

— E antes de ser da Christiane, de quem era? A mesa é antiga, outros já devem ter comido nela.

— Era dos pais dela, dos avós dela, dos…

— E antes deles? Pertenceu a um marceneiro que comprou a madeira para a fazer. E de onde vinha a madeira? De uma árvore que um lenhador abateu. Essa árvore pertencia à floresta que a tinha protegido, à terra que a tinha alimentado, ao ar, à luz, ao universo inteiro! E esta mesa também pertence àqueles que virão depois de nós e que nascerão quando nós já não existirmos.

Um círculo fechava-se após outro, como as ondas concêntricas que se geram num lago sempre que uma pedra é lançada. E os olhos de Sofia também cresciam e se expandiam.

Todo e qualquer processo de humanização começa por ser uma homenagem às origens. Prestar homenagem aciona um mecanismo secreto que abre toda e qualquer prisão.

Quando me inclino diante do outro o meu gesto não quer dizer que tudo nele é perfeito. Significa apenas que consegui entrever a eternidade que lhe deu corpo, a parte indestrutível do seu ser. Isso faz com que as aparências, as tentativas fracassadas, os mal-
-entendidos, os falhanços e as feridas percam a sua virulência e se esboroem sob a ação tranquila do tempo.

É-me pedido um só gesto para transformar a minha existência numa vida digna, seja qual for o sofrimento por que passei. Quando depois de uma relação infeliz, viro as costas e me vou embora, sem olhar para trás, a relação acabou. Mas a dependência permanece. Mesmo que a relação tenha sido cortada, as marcas persistentes do inacabado, do mal-estar ou da maldição persistem.

Quantas biografias, aventuras humanas e empreendimentos começam por uma porta fechada ao passado e rapidamente se veem invadidos por um vírus impercetível? Mesmo que a porta esteja fechada, os problemas atravessam as paredes. Só existe uma forma de nos libertarmos desta dependência maléfica: prestar homenagem e ter consciência da ligação universal que nos une.

Cada pessoa tenta fazer, à sua maneira, a difícil travessia da vida. Não é o seu sucesso que faz com que nos inclinemos perante ela: é a pulsão de vida e a esperança mais secreta que a habitam que nos comove e que saudamos. Quando se recebe os dons da vida sem gratidão, quando ignoramos a lei do respeito devido a cada alma, o mundo afunda-se na agonia.

O pequeno vampiro apaixonado.

O pequeno vampiro apaixonado

Numa noite de lua cheia, ao sair para o escuro, como sempre fazia para não ser visto, o pequeno vampiro encontrou uma menina vestida de cor-de-rosa a sair de uma casa. Era noite de Natal. A menina tinha os olhos radiantes de felicidade como todas as crianças naquela noite. Trazia o seu mais belo vestido, cor-de-rosa com folhos, e estava a dançar no passeio. O pequeno vampiro tinha os dentes pontiagudos, a pele macilenta e um rosto triste, e ali ficou, de olhos arregalados, a admirar a alegria dela.

Desde o primeiro momento em que a vira, o pequeno vampiro não parava de suspirar. Era uma dor de alma. Queria voltar a vê-la. Não para lhe fazer mal. Apenas para lhe dar um beijinho no pescoço, um beijinho muito, muito pequenino. Mas o que pode esperar um vampiro negro de uma menina cor-de-rosa?

À noite, aproximava-se da casa de Rosina, assim se chamava ela, tentando voltar a vê-la. Mas só conseguia avistar uma menina a lavar os dentes, uns lindos dentinhos brancos como pérolas de nácar, a pentear-se ou a passar uma luva pela sua linda pele. Ou a dormir sorrindo, na sua cama cor-de-rosa. E o vampiro lembrava-se dos seus dentes compridos, da sua pele macilenta, das mãos recurvadas, e pensava: “Um pouco de cor-de-rosa no meu coração cinzento faria um rosa acinzentado que seria muito bonito.”

E escondia-se dentro da sua caixa escura, que é uma forma de os vampiros exprimirem a sua tristeza. As faces pareciam papel enrugado, os olhos reflectiam a tristeza que lhe ia na alma. Colocou um letreiro na caixa: “Desgosto de amor”.

A mãe dizia-lhe:

— Não te preocupes, meu bichaninho. Isto já sucedeu a outros: o príncipe e a pastora, o guardador de ovelhas e a princesa, o gato e a ratinha. Porque não um vampiro e uma menina?

— Oh! — suspirava ele. Como é triste estar-se apaixonado! Naquela noite, mais valia ter partido uma perna! Mexe com tudo cá dentro e não se pensa noutra coisa! Gostava tanto de estar com ela, de lhe falar, de lhe pegar nas mãozinhas rosadas, de a ouvir rir, de lhe ver o brilho dos olhos…

E ficava encostado às paredes do prédio, à noite, a espreitar pela janela, só para ver uma pontinha do tule rosa, o esboço de um sorriso, um pouco de céu azul.

E o pequeno vampiro sonhava, no seu cantinho de céu escuro. Um dia haviam de casar, ela vestida de branco, a menina cor-de-rosa, com os cabelos cheios de flores. Ele levaria um lindo fato creme, e os seus dentes seriam como pérolas. Mas, quando acordava, a vida era como antes. E dentro da sua caixa, dava largas à tristeza.

Tentou diferentes tácticas. Um dia pintou a cara de cor-de-rosa, outro dia escondeu os dedos em forma de garra numas luvas de pele de cordeiro. Fechou a boca a sete chaves para tapar os dois grandes caninos. Uma outra vez, pôs um nariz de palhaço no rosto macilento, mas ficava com um ar tão triste que até fazia chorar. Outro dia ainda, o pequeno vampiro aproximou-se um pouco mais da janela de Rosina. Foi terrível. Ela estava a ter um sonho mau. Chorava enquanto dormia, e gritava. Ele pensou: “É o momento de eu entrar em cena. De qualquer modo, nunca serei pior do que o pesadelo que está a ter”.

O pequeno vampiro entrou no quarto no preciso momento em que ela ia gritar “Mamã!”. Ao vê-lo, arregalou os olhos.

— O que estás aqui a fazer? — exclamou ela. — Como conseguiste entrar no meu quarto?

— Não tenhas medo — disse o pequeno vampiro a tremer. — Eu não faço mal a ninguém. Sou um vampiro simpático. Estou aqui para te ajudar. Não tires nem o dente de alho nem o crucifixo.

A menina desatou a rir às gargalhadas. Ria-se e de que maneira! Até as lágrimas lhe vieram aos olhos.

— O teu disfarce não serve de nada. Não és nenhum vampiro, és um rapaz!

O pequeno vampiro estava mesmo admirado. Em vez de gritar, ela ria-se e dizia que ele era como os outros!

— Eu conheço-te. Às vezes cruzo-me contigo na rua, ou então foi em sonhos, já te vi nalgum sítio — diz a menina. — Quando dizes que és um vampiro, estás enganado. Os vampiros são feios e tristes. Não têm olhos brilhantes como tu.

O pequeno vampiro sentiu que estava a ficar corado, uma mistura de rosa e cinzento. A menina fez uma careta quando ele lhe disse que tinha a cara cinzenta como papel enrugado, e fê-lo aproximar-se do espelho!

— Tens de te bronzear um bocadinho, meu caro, para ficares mais corado. Deve ser de estares fechado em casa, longe dos outros. Volta amanhã, que vamos brincar no jardim, ao sol.

O rapazinho viu, com grande espanto, a sua imagem no espelho.

Era a primeira vez.

— Julgava que os vampiros não podiam ver-se ao espelho.

— Às vezes — disse a menina — julgamos que somos vampiros, feios e cinzentos, mas é só impressão nossa.

E deu-lhe um beijo no nariz.

No dia seguinte, o rapazinho e a menina brincaram juntos no jardim. O pequeno vampiro adquiriu uma linda cor de pele, olhos brilhantes e cheios de luz. E os dentes, curiosamente, começaram a encolher, a encolher… Pareciam pérolas!

— Vês, eu bem te disse. Vês como tinha razão!

E riram-se juntos.

Assim acaba a história do menino que se julgava um vampiro feio. Ou, talvez, a de um vampiro verdadeiro, que se transformou num rapazinho só porque gostava de uma linda menina rosadinha.

A Aluna Estrangeira.

Chama-se Salima, a nova da turma.
Não é uma menina calada e tímida, como Gabi. Salima faz-se notada em todo o lado.
Fala mais alto do que os outros. Veste roupas mais garridas do que a maioria. E não deixa que lhe preguem partidas.
Por isso, as crianças tentam constantemente arreliá-la. Diverte-as enfurecerem Salima, ouvi-la gritar, vê-la debater-se à volta delas.
Troçam dos seus cabelos encarapinhados, das narinas grandes e da pele escura.
Salima é negra.
Fala bem alemão porque veio para a Europa com os pais quando ainda era bebé.
Gabi acha graça a tudo na nova menina.
Gosta dos olhos grandes, da voz gutural, da pele cor de chocolate.
Quando Salima ri, ri-se com o corpo todo.
Quando está furiosa, parece um vulcão, onde tudo ferve.
Gabi emprestou logo o seu caderno à nova aluna, para ela copiar as lições.
Com ela, Salima nunca é atrevida ou rude. Quando a deixam em paz, ela é igual aos outros.
Mal a menina estrangeira chegou à turma, há um mês, a escaramuça começou imediatamente:
— Uma preta! — disse Bettina bastante alto. Está sentada ao lado de Gabi e é a sua melhor amiga.
— É negra! — disse Georg arregalando os olhos.
— A cozinheira negra já cá está… já, já, já…(1) — trauteou Inga baixinho, da penúltima carteira.
Infelizmente, a pior é Bettina. Tem sempre alguma coisa a apontar à nova menina. A culpada disso é a mãe. Até a proibiu de voltar da escola para casa com “a tal preta”. A mãe nem conhece a menina estrangeira mas, mesmo assim, não gosta dela.
— Não é de cá — diz. — Vê-se à distância de dez metros que é diferente de nós.
Bettina também acha.
Gabi não percebe. “Isso não é motivo para não se gostar de alguém”, pensa. “Até é feio excluir-se uma pessoa, só porque ela tem um aspecto diferente do nosso.”
Gabi sabe o que é não pertencer ao grupo, porque também já foi nova na turma e ainda não há muito tempo. A nova, com grandes dentes da frente e um nariz demasiado comprido. “Peixe Espada”, foi como lhe chamaram na altura. Precisou de um ano inteirinho até conseguir aguentar, sem chorar, a troça dos outros.
Mesmo assim, foi-lhe mais fácil do que o é agora para Salima. Porque Gabi é branca. Gradualmente, foi conseguindo ultrapassar o medo em relação aos outros.
Mas Salima nunca conseguiria esconder a sua pele escura.
Gabi gostava de dizer aos outros da classe que a nova só é atrevida porque tem de estar sempre a defender-se. Porque não a deixam em paz de uma vez por todas?
Só que Gabi tem medo de se pôr claramente do lado da menina estrangeira. Bem lhe quer mostrar que gosta dela, mas os outros não podem notar.
Não gostaria de vir a ter a maioria dos colegas contra ela, como antes, quando chegou como nova à turma.
Mesmo assim…
“Tenho de arranjar maneira de mostrar à Salima que estou do lado dela”, pensa Gabi. “E que gosto dela.”
Às vezes, no fim das aulas, depois dos outros já terem saído, Gabi atrasa-se de propósito para ficar mais um pouco com Salima, que demora sempre muito tempo a arrumar as coisas e a metê-las na pasta.
De repente, cai-lhe o estojo das mãos, e todos os lápis, os lápis de cor, duas borrachas e um pedaço de chocolate já mordido rolam para debaixo da carteira.
— Vá, eu ajudo-te — oferece-se Gabi.
Deitadas de barriga para baixo, tentam “pescar” o material escolar e o chocolate. Assim, ao tentarem chegar as duas ao mesmo lápis, chocam com os narizes uma na outra debaixo da carteira.
— Ai! Ui! — exclamam em coro, esfregando os narizes amachucados. E desatam a rir.
Salima diz de repente:
— Tu és simpática, sabes, mas os outros… —E faz um gesto de desprezo com a mão, que mais parece uma tentativa de nadar, porque Salima ainda está deitada. Gabi levanta-se e sacode o pó das calças.
Salima gatinha para fora da carteira mas fica sentada no chão.
— Sabes — diz, apontando para a sala vazia — se não lhes fizer frente desde o início, acabam comigo. Aprendi isto quando ainda era pequena e nos mudámos para cá. Algumas pessoas comportam-se de forma muito estúpida só porque tenho a pele escura. Acham que tenho de me sujeitar a tudo! — Salima levanta-se e mantém-se direita.
— Mas de mim não conseguem nada. De mim, não!
Por momentos, parece que vai chorar, mas não.
Gabi admira a menina estrangeira por ter a coragem de não se submeter. Ela própria tinha-se sempre escondido na sua casinha de caracol.
Encolhida, amedrontada, magoada nos seus sentimentos.
Salima, no entanto, é um pouco como um ouriço-cacheiro. Mal há sinal de perigo, fica logo eriçada. Ela até é bem-disposta e gosta de rir. “Só temos de afastar os picos um pouco para o lado e não a provocar,” pensa Gabi. “E também ser amáveis com ela. Porque é que a maioria não percebe isso?”
A maior parte dos meninos não se deu sequer ao trabalho de tentar compreender a nova colega. Pensam que podem ofendê-la. Ela grita, mas ri logo a seguir.
Podem pisá-la. Ela riposta, mas, quando vai para casa, já vai a cantar.
Aguenta muita coisa. Podem fazer-lhe sentir que é diferente. É mesmo bom que haja cá uma aluna como ela. Ao menos, há mais animação.
É sempre Bettina quem desafia a menina negra e quem provoca os outros. Como neste momento.
Bettina faz pontaria com a borracha às costas de Salima. A borracha faz ricochete e salta de novo para a mesa. A brincadeira repete-se quatro, cinco vezes.
Alguns riem.
— Palerma! — grita Salima, que já começa a ficar farta.
— Acalma-te — diz Paul, com uma voz zangada e dura, ele que nem tem nada a ver com o assunto.
— Deixa-a em paz! — mete-se Alexa, que está sentada ao lado de Salima.
Alexa tomou o partido de Salima. Pode dar-se ao luxo de dizer abertamente o que pensa.
“Como ela é querida por todos, pode admitir que gosta da nova”, pensa Gabi.
Com Gabi é mais do que “gostar”. Ela sente com Salima. Sabe, pelo que passou, o que Salima tem de aguentar. Tem pena dela. Lá por Salima, para quem vê de fora, reagir melhor do que ela reagiu, não quer dizer que não se sinta igualmente ferida.
“Tenho mesmo de fazer alguma coisa”, pensa Gabi. “Tenho de lhe provar que sou sua amiga.”
“A dois”, pensa Gabi, “dói tudo um pouquinho menos. A dois, pode-se partilhar a dor. Mas o que posso fazer sem pôr logo os outros contra mim?”
Gabi decide deitar-se na varanda todas as tardes depois da escola e “torrar” ao sol. Uma hora inteirinha até ficar cor de chocolate. Assim, Salima deixaria de ser a única com a pele escura. No Verão, a mãe está sempre a dizer a Gabi:
— Pareces uma negra!
Assim, a partir de hoje, Gabi tornar-se-ia negra.
— Que estupidez — diz em voz alta, afastando aquela ideia. — Uma pessoa não se torna negra só por se deitar umas horas ao sol. Não se fica, só por isso, com nariz largo, nem com lábios grossos, nem com carapinha. É preciso muito mais. E, principalmente, ter uma mãe ou um pai que sejam negros.
Gabi continua a magicar. Tem os cotovelos fincados na mesa e a cara apoiada nas mãos. Nem repara no que está a passar-se à sua volta. Tem o olhar fixo no padrão verde das costas do casaco de Salima.
De repente, um bico de lápis desliza para a frente, na diagonal. Pertence ao lápis que Bettina segura na mão.
— O que estás outra vez a fazer? — Gabi desvia Bettina com um toque.
— Deixa-me!
Bettina segura no lápis afiado de forma a apontar a mina à nuca de Salima. Estica o braço até quase lhe tocar.
— Será que ela sente? — segreda Bettina.
— Pára com isso!
Mas Bettina há muito que quer saber como é uma carapinha. Se é rija ou se é mole.
Bettina estica o braço um pouco mais para a frente. Alguns observam a brincadeira. De repente, Salima começa a balançar-se na cadeira. Dá lanço na beira da mesa, inclina-se com força para trás e acerta com a nuca no bico do lápis.
Um grito. Breve e cortante.
Com a mão direita na nuca, Salima dá umas voltas sobre si mesma. Com a esquerda, dá uma bofetada a Bettina.
— Estás maluca!! — grita Bettina — Não te fiz nada!
— Picaste-me!
— Não picou nada! — confirma Brigitte, que nem tinha prestado atenção ao que se passara.
Que pena a professora ainda não estar na sala. Podia ter acalmado a discussão.
— Vais pagar-me pela bofetada! — diz Bettina z angada.
Gabi estende o braço. Quer afagar a menina negra.
Mas Salima levantou-se de um salto e corre para a porta, a mão ainda na cabeça. Sobre a mão escorre um pouco de sangue. Antes de sair, Salima pára repentinamente. Devagar, muito devagarinho, vira-se para a turma, que a olha com curiosidade.
A menina estrangeira chora. Em silêncio. Só o subir e descer do corpo e o fungar baixinho revelam a intensidade do choro. Os grandes olhos parecem ainda maiores sob as lágrimas.
Fica por uns momentos parada, sem se mexer. Depois, fecha a porta com estrondo.
Silêncio aflitivo.
Salima chora. Já não ri. Não canta. Chora, como qualquer outra criança também teria chorado.
Gabi está como que pregada à carteira. Muda com o susto. As pernas estão pesadas como se tivesse chumbo nos pés. Porque não se levanta? Porque não corre atrás de Salima? Ela própria não percebe. Era precisamente agora que Salima mais precisava dela.
“Vocês são maus!”, quer gritar. Mas não lhe sai nada.
— Vocês são maus! — grita Michael em vez dela. Está sentado na primeira fila. — Ela não vos fez nada. Se fosse comigo, tinhas apanhado logo duas bofetadas, Bettina.
“Agora que Salima não está cá e não pode ouvir, é que ele diz isto”, pensa Gabi.
E ela própria, que tanto queria ter corrido atrás dela, que queria tê-la agarrado, protegido… não conseguiu!!
De repente começam todos a falar ao mesmo tempo.
— Ela não tem culpa de ser preta — diz Alexa novamente, que foi a primeira a defender a menina estrangeira. — Imaginem-se o único branco numa turma de pretos. Gostavam que vos acontecesse o mesmo?
— Salima pode não ter culpa de ser preta — diz Inga — mas no meu pão com fiambre é que nunca a deixaria trincar.
— Ugh! — diz Helga, arrepiando-se.
— Ugh! — diz Paul, arrepiando-se também.
— A ti é que ninguém te deixava trincá-lo, com tantas borbulhas — grita Martin.
— Saliva é saliva — diz Paul.
— Exactamente! E com Salima não é a mesma coisa? — Alex bate com o punho na mesa.
Gabi assusta-se. As vozes ressoam-lhe na cabeça. A pancada com o punho arrancou-a da confusão das palavras.
Há pouco, quando Salima estava a chorar à porta, Gabi tinha tido uma oportunidade. Podia ter mostrado que achava horrível a forma como os outros se comportavam. Especialmente Bettina. Em vez disso, tentou apenas acariciar a nova menina. Medrosamente, do seu lugar, de onde não precisava de se levantar nem de sentir a turma atrás das costas. Mas novamente a mesma sensação… Não.
O medo de tornar a ser ridicularizada é maior do que a ligação a Salima.
Mesmo assim, Gabi diz, muito baixinho:
— A Salima é querida. Porque é que és tão antipática com ela?
Bettina ouviu.
— Muito querida — diz, venenosa. — Mas cheira mal!
— Que estupidez! — grita Michael, que só ouviu as últimas palavras. — Já alguma vez estiveste sentada ao lado do Markus? Ele cheira tão mal que até as minhas meias fogem dele!
Markus, hoje, não veio às aulas. Por isso, a ofensa não o magoa. Se estivesse presente, ninguém teria dito aquilo.
Mas à menina estrangeira diz-se-lhe tudo na cara.
Bettina cala-se. A cara ainda está um pouco vermelha da bofetada. De repente, começa outra vez a barafustar:
— Anda vestida como um papagaio. Só lhe faltam as penas no rabo.
Risos abafados.
— Cala a boca de uma vez por todas! — diz Gabi, agora em voz alta.
A frase desapareceu na risota geral. Cada um grita à turma a sua opinião.
— Acabou! Acabou! Já chega! — Gabi grita agora mais alto do que os outros. Grita e tapa os ouvidos ao mesmo tempo. Ninguém repara que a porta da sala se abre.
Quando Salima se dirige em silêncio para o seu lugar, todos se calam de repente. Não olha para ninguém, tem os olhos pregados no chão e um grande penso na nuca.
Gabi levanta-se antes de Salima se sentar. É automático, o chumbo dos pés desapareceu. Gabi nem precisa de pensar. Vai direita a Salima e, em frente de toda a turma, põe-lhe carinhosamente o braço à volta dos ombros. Não custou nada.
— Lamentamos todos — diz Gabi em voz alta, de forma a que todos ouçam, especialmente
Bettina.
Salima não diz nada.
Agora levantam-se também Alexa e Michael. Inga e Martina. Até Paul se chega à frente. O pequeno grupo cresce à volta de Bettina.
— Não fiz de propósito! — diz esta baixinho.
— Dói muito? — pergunta Gabi.
Salima levanta finalmente os olhos e olha para Gabi. Põe o braço à sua volta.
— Agora já não doi mais — diz Salima.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Travessa-Cavalinho.

A travessa-cavalinho
Margarida olhou a antiga travessa, pendurada há anos, depois de ter sido substituída por loiça mais moderna, destacando-se na parede das recordações – se é que se pode chamar assim a um conjunto de objetos que trazem memórias e, neste caso, quase sempre felizes.

A travessa, de cor parda pelo uso e pelo tempo, mantinha, no fundo, uma paisagem arborizada, em tons de verde, e, no centro, um cavalo veloz, guiado por um jovem e ágil cavaleiro.

Ao longo dos muitos anos em que Margarida viu a travessa-cavalinho no ativo, nunca reparou, com tanta nitidez, nos pormenores do desenho. No passado, via-o quase sempre coberto de batatas, hortaliças e bacalhau fumegantes, saídos da grande e pesada panela envolta em quentes vapores. Ou de aletria com carreirinhos de canela perfumada. Ou de louras rabanadas, polvilhadas de açúcar que a recente fritura aquecia.

Passado, então, muito tempo e aproximando-se o Natal, Margarida estendeu os braços e retirou a travessa da parede, tomando-a nas mãos. A sala abriu-se a cheiros, gestos, silêncios do passado. E a vozes diretivas e urgentes também: Margarida, descasca as batatas; Margarida, cuidado com a travessa; Margarida, vai ao quintal apanhar couves; Margarida, vai a casa da senhora Clara buscar os ovos (Clara era uma velha senhora – ou sê-lo-ia apenas aos olhos de Margarida – que, debruçada da janela da grande casa de lavoura, fazia descer, devagarinho, ao seu chamamento, uma cestinha com os ovos. Voltava a elevá-la com as moedas que as mãozinhas ainda pequenas lá depositavam. A menina ficava a olhar a cestinha, acionada pelas mãos altas da senhora Clara, seguindo sempre o sereno prumo do fio).

Agora, aproximando-se de novo dessa peça de loiça antiga, Margarida abeirava-se dos rostos das pessoas presentes ou ausentes e que daquela travessa tinham retirado prazeres deleitosos ao longo de muitos anos. Algumas tinham já partido, mas a travessa continuava a ser delas um espelho. Olhando a travessa-cavalinho, tantas lembranças eram convocadas! Tantas imposições reiteradas pela organização da casa e do trabalho: Margarida, faz isto; Margarida, faz aquilo; Margarida, vai ali; Margarida, vem cá…

A azáfama dos espaços e dos tempos foi-se impondo, os Natais sucederam-se num ápice e não lhe sobrava concentração para concretizar um gosto que sempre a animara: escrever histórias. E, no entanto, havia algumas ajudas temáticas, porque, à volta do Natal, ocorriam peripécias passíveis de serem encaixadas em contos, expandidos pela imaginação.

Margarida revia alguns desses momentos.

Uma vez, num longínquo Natal, chegando o momento de o avô receber os presentes, dos embrulhos só surgiam meias. Apenas as cores variavam: umas mais escuras, outras mais claras. O avô, de sorridentes olhos claros e pequeninos, ia juntando, num montinho, os pares de meias e disse não sem malícia: “Tenho meias para o resto da vida. Para o ano, se quiserem, podem dar-me outra coisa.”

Numa outra noite de Natal, a travessa-cavalinho ficara em cima da mesa. A mãe de Margarida, seguindo uma tradição de família, deixava sempre a toalha por sacudir na mesa, e sobre ela algumas das iguarias que restavam da ceia. Ora, Margarida, aproveitando o adormecimento da casa, foi à cozinha para ver se o Menino Jesus já tinha trazido os presentes. A crença era tão grande na Sua vinda que Margarida pensava ter visto os caracóis do Menino, ainda mais menino do que ela, a descer pela chaminé, onde estavam dispostos, em fila, os sapatinhos.

Na véspera de um outro Natal, a travessa-cavalinho segurava, dessa vez, as rabanadas loiras e quentinhas. De repente, chegou Margarida com a irmã e, sem contar nem querer, mexeram na porta e esta moveu-se, deixando ver o que estava bem mal escondido: dois guarda-chuvinhas, guarnecidos de um folhinho cor-de-rosa, para serem postos no sapatinho, como oferta do Menino Jesus. Acabava-se, assim, a magia dos presentes, trazidos por um ser de um reino fantástico ou divino. Tudo se desmoronara num abrir e fechar de uma simples porta de cozinha.
Num outro dia de frio dezembro, muito próximo do Natal, Margarida foi ao mato buscar musgo para o presépio. Levou uma cestinha, trazendo-a recheada com o tapetinho verde, em camadinhas leves para não ficar pisado. Entrando em casa, logo se aproximou da mãe, falando do cheiro húmido dos recantos onde as árvores e arbustos nunca têm sede de água, porque as chuvas a acumulam e conservam sob as árvores de eterna sombra, onde o musgo reverdece. Nesse momento, estava a mãe a lavar as loiças para o Natal e nas mãos tinha a travessa-cavalinho que mais verde parecia.

Também tinha sido diante da travessa-cavalinho que Margarida ouvira os avós e agora os pais dizerem com voz enfraquecida: “Este vai ser o meu último Natal.”

E, infelizmente, houve cadeiras que foram ficando quietas e vazias; outras vezes, felizmente, a frase de quase despedida voltou a ser silabada ainda por alguns Natais.

Tantas histórias ouvidas e vividas que Margarida queria partilhar, filigranando as palavras para que o todo tivesse a harmonia de uma doce e desejada ceia de Natal.

Tantas situações que se poderiam encaixar em histórias curtas e simples que Margarida gostava de já ter escrito. Talvez os filhos gostassem. Ou os sobrinhos. Ou os filhos dos amigos. Ou desconhecidos que se abeirariam dela, chamados pelas palavras impressas. Gostava de já ter as histórias na mão, em forma de livro ou em folhinhas soltas de macio papel, ilustradas de preferência, como tinha agora a travessa-cavalinho.

Sabia que se fosse uma escritora a sério, tê-las-ia já produzido, desse por onde desse; mas queria tão só contar pequenas histórias que lhe bailavam na memória, agora espelhadas numa travessa-‑cavalinho que se habituara a ver sobre a mesa natalícia desde a sua infância.

Outras estórias surgiriam reinventadas ou imaginadas, com a larga inocência de pensar que ainda nem tudo foi criado.

Este ano, Margarida iria encontrar novos sentidos na travessa-cavalinho.

Pô-la-ia, vazia e em destaque, no centro da mesa natalícia.

Talvez as crianças, ao vê-la despojada de qualquer conteúdo, perguntassem porquê.

E surgiria a melhor explicação, através de uma história que em breve seria escrita:

— Era uma vez um cavalinho que, numa noite de Natal…

Maria Dolores Garrido

Uma Rapariga Corajosa – Clara Lemlich e a Greve das Costureiras de 1909

Um navio aporta em Nova Iorque, com centenas de imigrantes a bordo e alguém que virá a revelar-se uma surpresa para a cidade.

Clara Lemlich é uma surpresa extremamente pobre, tem cerca de metro e meio e mal fala uma palavra de Inglês. Mas é uma rapariga de coragem e irá demonstrá-lo.

Clara sabe bem distinguir o certo do errado.

O errado é o que acontece algumas semanas depois de os Lemlich ocuparem o alojamento que lhes destinaram na América.

Ninguém contrata o pai de Clara, embora ela receba uma proposta de trabalho.

Uma proposta de trabalho a fazer blusas, casacos, vestidos de noite e outras roupas de mulher. Os milhares de raparigas imigrantes que foram contratados ganham apenas alguns dólares por mês, o que sempre ajuda para pagar a comida e a renda. Em vez de carregarem livros para ir à escola, muitas das raparigas carregam máquinas de costura para o trabalho.

Clara torna-se costureira.

Trabalha de manhã à noite, fechada numa fábrica. Filas e filas de jovens mulheres debruçam-se sobre as mesas a coser colarinhos, mangas e punhos, com toda a celeridade de que são capazes.

— Despachem-se, despachem-se! — gritam os patrões.

A divisão não tem luz direta e é insuportavelmente abafada, devido à quantidade de pessoas que nela se encontram.

Só há duas retretes sujas, um lavatório e três toalhas para trezentas raparigas.

Se alguém se picar num dedo e sujar o tecido, é multada. Se o fizer duas vezes, é despedida.

Se se atrasar alguns minutos, perde metade de um dia de salário.

As portas estão fechadas e todas as noites as trabalhadoras são inspecionadas para detetar eventuais roubos.

Clara aprende as regras depressa, mas continua a ser uma rapariga indómita.

Quer ler e aprender.

Quando o seu turno acaba, vai para a biblioteca, embora tenha dores de olhos, por causa da falta de luz com que trabalha, e de costas, por estar constantemente vergada sobre a máquina de costura.

Enche o estômago vazio com um copo de leite e dirige-se para as aulas noturnas.

Quando chega a casa, só dorme algumas horas antes de se levantar de novo.

À medida que as semanas se arrastam, Clara faz amizades com algumas das outras costureiras. Partilham histórias e segredos ao almoço, como se estivessem na escola onde deviam estar. Clara sente-se zangada não só por si, mas também pelas suas colegas de fábrica, que trabalham como escravas. Esta não é, de todo, a América que imaginara.

Os homens contam que têm tentado organizar um sindicato para poderem fazer greve até os patrões os tratarem melhor. Contudo, não acham que as raparigas sejam suficientemente determinadas.

Não são suficientemente determinadas? Por serem raparigas? Clara sabe que tem determinação que chegue e que as suas colegas também a têm. E está decidida a prová-lo. A partir de agora, quer seja em esquinas de ruas ou junto de máquinas de costura, Clara vai tentar convencer as outras trabalhadoras a lutarem pelos seus direitos.

Quando as costureiras estão exaustas, diz-lhes:

— Façam greve!

Quando não são pagas pelas horas que trabalham, diz-lhes:

— Façam greve!

Quando são punidas por dizerem o que pensam, diz-lhes:

— Façam grave!

E as raparigas assim fazem.

De cada vez que Clara lidera uma greve, os patrões despedem-na.

De cada vez que lidera um piquete, a sua vida corre perigo, porque os donos da fábrica contratam rufias para espancarem as grevistas.

A polícia chega a prendê-la dezassete vezes.

Quebram-lhe seis costelas, mas não conseguem quebrar a sua determinação.

Clara esconde os ferimentos dos pais e, alguns dias mais tarde, volta a manifestar-se.

As outras raparigas dizem entre si:

— Se ela consegue, também nós conseguimos.

As pequenas greves duram várias semanas. Entretanto, os patrões arranjaram outras jovens para fazer o trabalho das grevistas, a troco de salários igualmente baixos e de horas igualmente longas.

“Temos de preparar uma manifestação maior”, pensam Clara e outros líderes sindicais. “Uma greve maciça que envolva todas as fábricas de vestuário Clara Lemlich, que na altura teria cerca de vinte e poucos anos, chegou a ser encarregada pelo sindicato de investigar as condições de saúde e segurança da indústria do vestuário.

Depois da greve, milhares de trabalhadores de outras cidades do país, tais como Filadélfia, Chicago, Cleveland e Kalamazoo, fizeram greve por melhores condições de trabalho ou campanha pelo direito de constituir sindicatos. Tal como Clara Lemlich, também Pauline Newman e Rose Schneiderman assumiram papéis de liderança no movimento laboral. Os progressos obtidos pelos ativistas da indústria do vestuário tiveram impacto em empregos por todo o país.

Embora ainda existam erros que precisam de ser corrigidos, os trabalhadores de hoje dispõem de semanas de cinco dias de trabalho, pagamento por horas extraordinárias e outros esquemas de proteção devido, em grande parte, a líderes laborais como Clara Lemlich e a milhares de raparigas corajosas que fizeram greve no inverno de 1909.

Michelle Markel; Melissa Sweet
Brave Girl
New York, Balzer+Bray, 2013
(Tradução e adaptação).

O caminho para a verdade.

O caminho para a verdade

A chuva que caía há dias parou finalmente nessa tarde. Um suspiro de alívio percorreu a turma toda. Os rapazes sabiam agora que o jogo de futebol, há tanto ansiosamente esperado, poderia ter lugar e já não seria cancelado por causa do mau tempo.

— Bom, às três horas no campo de jogos, mas em ponto! — diz Matias para Ricardo, ao irem juntos para casa no fim das aulas.

Ricardo abana a cabeça e murmura algo de incompreensível de cada vez que Matias dá pontapés nas pedras do caminho para ensaiar golos. Tenta acertar num tronco, numa pedra, ou até numa determinada folha de um ramo. Ricardo já não suporta esta mania. É que Matias tem tudo menos boa pontaria.

As suas brincadeiras com as pedras já tinham causado aborrecimentos que chegassem. Matias achava que era precisamente por isso que devia treinar mais. Como se dar pontapés a pedras fosse de uma importância vital!

Ainda Ricardo não tinha acabado de pensar e já se ouvia o barulho de vidros partidos: a última pedra de Matias tinha voado direitinho à janela da entrada do Sr. Gilberto. Ricardo ficou a olhá-la petrificado.

— O melhor agora é fugir! — ouviu Matias sibilar. E, com um grande salto, o autor da asneira desapareceu a correr pela rua abaixo.

Ricardo ainda estava a olhá-lo, confuso, quando sentiu que alguém o agarrava pela gola e o puxava com força. À sua frente, furioso e ofegante, estava o senhor Gilberto.

— Até que enfim que te apanhei, rapazinho! Espera lá, que te vou levar já ao teu pai, e vais ver o que te vai acontecer!

Às três horas em ponto, Matias apareceu no campo de jogos mas, por mais que procurasse Ricardo, não o encontrou.

“Afinal sempre o apanharam”, pensou Matias “e, ou assumiu ele a culpa, ou não o deixaram falar. Já é costume. O pai dele, às vezes, é muito severo.”

Matias ficou de pé, na tribuna, a olhar para o campo vazio. Combinavam quase sempre encontrar-se uma hora antes, para arranjarem um bom lugar. Mas, de um momento para o outro, Matias perdeu o entusiasmo pelo jogo. Pensava no vidro da janela, em Ricardo, e a má consciência atormentava-o. Devagar e de cabeça baixa, abandonou o campo e encaminhou-se, hesitante, para a casa dos pais de Ricardo.

Foi o pai em pessoa que lhe abriu a porta. Irado como estava, nem sequer deixou Matias falar, dizendo-lhe asperamente:

— É inútil, rapaz! O Ricardo está fechado no quarto, de castigo, a fazer os trabalhos de casa… Ele que te conte tudo na segunda-feira, na escola. Já só faltam dois dias e meio — e voltou para dentro, fechando a porta com força.

Matias voltou a tocar à campainha insistentemente e, desesperado, acabou por bater à porta com os punhos. Não podia aceitar uma injustiça daquelas. Mas ninguém se mexeu dentro de casa.

Os pensamentos atropelavam-se-lhe na cabeça.

“Muito bem”, pensava ele, “então vou contar-lhe a verdade pelo telefone. E se ele também não me deixa falar pelo telefone?”

De repente, Matias tem uma ideia e volta a correr para casa. A mãe ainda não tinha regressado do trabalho. Procurou papel de carta e um envelope, escreveu a toda a pressa umas linhas no papel e levou a carta à estação dos correios mais próxima. Mostrou ao empregado o dinheiro que lhe sobrava da semanada e perguntou:

— Chega para mandar uma carta por correio-expresso para a cidade?

— Chega e sobra, rapaz.

— E a carta é entregue agora mesmo?

O empregado olhou-o sorrindo e respondeu:

— Há fogo? Não tenhas medo, que estás com sorte. A carta pode chegar ao destino em meia-hora. Ex-cepcio-nal-mente!

Matias entregou a carta, feliz.

Uma meia hora mais tarde, o pai de Ricardo abria uma carta, entregue por um estafeta motorizado. E, admirado, leu:

Caro Sr. Pinto,

Venho, por este meio, provar-lhe que a verdade afinal consegue entrar em sua casa. Fui eu que parti o vidro da janela e vou pagá-lo com a minha próxima semanada.

Espero pela resposta em frente à sua casa.

Com os meus cumprimentos

Matias

A resposta que o pai de Ricardo mandou a Matias pesava quase 40 kg e vinha a rir-se. O pai tinha mandado o Ricardo. Assim que viu o amigo sentado à espera na soleira da porta, disse:

— Matias, tu és o maior maluco do mundo! O que tu fizeste… bem, nunca hei-de esquecer.

— Ora — resmungou Matias — não fales tanto, senão ainda perdemos também a segunda parte do jogo.

O Senhor Palha.

O Senhor Palha

Conto japonês

Era uma vez, há muitos e muitos anos, é claro, porque as melhores histórias passam-se sempre há muitos e muitos anos, um homem chamado Senhor Palha. Ele não tinha casa, nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo. Ora o Senhor Palha não tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha para comer e era magrinho como um fiapo de palha. Era por esse motivo que as pessoas lhe chamavam Senhor Palha.

Todos os dias o Senhor Palha ia ao templo pedir à Deusa da Fortuna que melhorasse a sua sorte, mas nada acontecia. Até que um dia, ele ouviu uma voz sussurrar:

— A primeira coisa em que tocares quando saíres do templo há- de trazer-te uma grande fortuna.

O Senhor Palha apanhou um susto. Esfregou os olhos, olhou em volta, mas viu que estava bem acordado e que o templo estava vazio. Mesmo assim, saiu a pensar: “Terei sonhado ou foi a Deusa da Fortuna que falou comigo?” Na dúvida, correu para fora do templo, ao encontro da sorte. Mas, na pressa, o pobre Senhor Palha tropeçou nos degraus e foi rolando aos trambolhões até o final da escada, onde caiu por terra. Ao levantar-se, ajeitou as roupas e percebeu que tinha alguma coisa na mão. Era um fio de palha.

“Bom”, pensou ele, “uma palha não vale nada, mas, se a Deusa da Fortuna quis que eu o apanhasse, é melhor guardá-lo.”

E lá foi ele, com a palha na mão.

Pouco depois, apareceu uma libélula zumbindo em volta da cabeça dele. Tentou afastá-la, mas não adiantou. A libélula zumbia loucamente ao redor da cabeça dele. “Muito bem”, pensou ele. “Se não queres ir embora, fica comigo.” Apanhou a libélula e amarrou-lhe o fio de palha à cauda. Ficou a parecer um pequeno papagaio (de papel), e ele continuou a descer a rua com a libélula presa à palha. Encontrou a seguir uma florista, que ia a caminho do mercado com o filho pequenino, para vender as suas flores. Vinham de muito longe. O menino estava cansado, coberto de suor, e a poeira fazia-o chorar. Mas quando viu a libélula a zumbir amarrada ao fio de palha, o seu pequeno rosto animou-se.

— Mãe, dás-me uma libélula? — pediu. — Por favor!

“Bem”, pensou o Senhor Palha, “a Deusa da Fortuna disse-me que a palha traria sorte. Mas este garotinho está tão cansado, tão suado, que ficará certamente mais feliz com um pequeno presente.” E deu ao menino a libélula presa à palha.

— É muita bondade sua — disse a florista. — Não tenho nada para lhe dar em troca além de uma rosa. Aceita?

O Senhor Palha agradeceu e continuou o seu caminho, levando a rosa. Andou mais um pouco e viu um jovem sentado num tronco de árvore, segurando a cabeça entre as mãos. Parecia tão infeliz que o Senhor Palha lhe perguntou o que tinha acontecido.

— Hoje à noite, vou pedir a minha namorada em casamento — queixou-se o rapaz. — Mas sou tão pobre que não tenho nada para lhe oferecer.

— Bem, eu também sou pobre — disse o Senhor Palha. — Não tenho nada de valor mas, se quiser dar-lhe esta rosa ela é sua.

O rosto do rapaz abriu-se num sorriso ao ver a esplêndida rosa.

— Fique com estas três laranjas, por favor — disse o jovem. — É só o que posso dar-lhe em troca.

O Senhor Palha continuou a andar, levando três suculentas laranjas. Em seguida, encontrou um vendedor ambulante a puxar uma pequena carroça.

— Pode ajudar-me? — disse o vendedor ambulante, exausto. — Tenho puxado esta carroça durante todo o dia e estou com tanta sede que acho que vou desmaiar. Preciso de um gole de água.

— Acho que não há nenhum poço por aqui — disse o Senhor Palha. — Mas, se quiser, pode chupar estas três laranjas.

O vendedor ambulante ficou tão grato que pegou num rolo da mais fina seda que havia na carroça e deu-o ao Senhor Palha, dizendo:

— O senhor é muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca.

E, uma vez mais, o Senhor Palha continuou o seu caminho, com o rolo de seda debaixo do braço.

Não tinha dado dez passos quando viu passar uma princesa numa carruagem. Tinha um olhar preocupado, mas a sua expressão alegrou-se ao ver o Senhor Palha.

— Onde arranjou essa seda? — gritou ela. — É justamente aquilo de que estou à procura. Hoje é o aniversário de meu pai e quero dar-lhe um quimono real.

— Bem, já que é aniversário dele, tenho prazer em oferecer-lhe a seda — disse o Senhor Palha.

A princesa mal podia acreditar em tamanha sorte.

— O senhor é muito generoso — disse sorrindo. — Por favor, aceite esta jóia em troca.

A carruagem afastou-se, deixando o Senhor Palha com uma jóia de inestimável valor refulgindo à luz do sol.

“Muito bem”, pensou ele, “comecei com um fio de palha que não valia nada e agora tenho uma jóia. Sinto-me contente.”

Levou a jóia ao mercado, vendeu-a e, com o dinheiro, comprou uma plantação de arroz. Trabalhou muito, arou, semeou, colheu, e a cada ano a plantação produzia mais arroz. Em pouco tempo, o Senhor Palha ficou rico.

Mas a riqueza não o modificou. Oferecia sempre arroz aos que tinham fome e ajudava todos os que o procuravam. Diziam que a sua sorte tinha começado com um fio de palha, mas quem sabe se não terá sido com a sua generosidade?

As Janelas Douradas.

As janelas douradas

O menino trabalhava arduamente durante todo o dia, no campo, no estábulo e no armazém, pois os pais eram fazendeiros pobres e não podiam pagar a um ajudante. Mas, quando o sol se punha, o pai deixava-lhe aquela hora só para ele. O menino subia ao alto de um morro e ficava a olhar para um outro morro, distante alguns quilómetros. Nesse morro, via uma casa com janelas de ouro e de diamantes. As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele era obrigado a piscar os olhos. Mas, pouco depois, ao que parecia, as pessoas da casa fechavam as janelas por fora, e então a casa ficava igual a qualquer outra casa. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar; então voltava para casa, jantava e ia deitar-se. Um dia, o pai do menino chamou-o e disse-lhe:

— Tens sido um bom menino e ganhaste um dia livre. Tira esse dia para ti; mas lembra-te: tenta usá-lo para aprenderes alguma coisa boa.

O menino agradeceu ao pai e beijou a mãe. Em seguida partiu, tomando a direcção da casa das janelas douradas.

Foi uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e, quando olhava para trás, parecia que as pegadas o seguiam, fazendo-lhe companhia. A sombra também caminhava ao seu lado, dançando e correndo, tal como ele. Era muito divertido.

Passado um longo tempo, chegou ao morro verde e alto. Quando subiu ao topo, lá estava a casa. Mas parecia que haviam fechado as janelas, pois ele não viu nada de dourado. Aproximou-se e sentiu vontade de chorar, porque as janelas eram de vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada que fizesse lembrar o ouro.

Uma mulher chegou à porta e olhou carinhosamente para o menino, perguntando o que ele queria.

— Eu vi as janelas de ouro lá do nosso morro — disse ele — e vim de propósito para as ver de perto, mas elas são de vidro!

A mulher meneou a cabeça e riu-se.

— Nós somos fazendeiros pobres — disse — e não poderíamos ter janelas de ouro. E o vidro é muito melhor para se ver através dele!

Convidou o menino a sentar-se no largo degrau de pedra e trouxe-lhe um copo de leite e uma fatia de bolo, dizendo-lhe que descansasse. Chamou então a filha, que era da idade do menino; dirigiu aos dois um aceno afectuoso de cabeça e voltou aos seus afazeres.

A menina estava descalça como ele e usava um vestido de algodão castanho, mas os cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto e os olhos eram azuis como o céu ao meio-dia. Passeou com ele pela fazenda e mostrou-lhe o seu bezerro preto com uma estrela branca na testa; ele falou do bezerro que tinha em casa, e que era castanho-avermelhado com as quatro patas brancas. Depois de terem comido juntos uma maçã, e se terem tornado amigos, ele fez-lhe perguntas sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que sabia tudo sobre elas, mas que ele se tinha enganado na casa.

— Vieste numa direcção completamente errada! — exclamou ela. — Vem comigo, vou-te mostrar a casa de janelas douradas, para ficares a saber onde fica.

Foram para um outeiro que se erguia atrás da casa, e, no caminho, a menina contou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.

— Eu sei, é isso mesmo! — confirmou o menino.

No cimo do outeiro, a menina virou-se e apontou: lá longe, num morro distante, havia uma casa com janelas de ouro e de diamantes, exactamente como ele tinha visto. E quando olhou, o menino viu que era a sua própria casa!

Apressou-se então a dizer à menina que precisava de se ir embora. Deu-lhe a sua melhor pedrinha, a branca com uma lista vermelha, que trazia há um ano no bolso. Ela deu-lhe três castanhas- da-índia: uma vermelha acetinada, outra pintada e outra branca como leite. Ele deu-lhe um beijo e prometeu voltar, mas não contou o que descobrira. Desceu o morro, enquanto a menina ficava a vê-lo afastar-se, na luz do sol poente.

O caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou a casa dos pais. Mas o lampião e a lareira luziam através das janelas, tornando-as quase tão brilhantes como as vira do outeiro. Quando abriu a porta, a mãe veio beijá-lo e a irmãzinha correu a pendurar-se-lhe ao pescoço; sentado perto da lareira, o pai levantou os olhos e sorriu.

— Tiveste um bom dia? — perguntou a mãe.

— Sim! — o menino passara um dia óptimo.

— E aprendeste alguma coisa? — perguntou o pai.

— Sim! — disse o menino. — Aprendi que a nossa casa tem janelas de ouro e de diamantes.

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